Brasília - Com apoio de parte da bancada do PT, que indicou inclusive um nome do partido para a primeira secretaria da nova Mesa, Eunício Oliveira (PMDB-CE) foi eleito presidente do Senado, com 61 votos favoráveis, 10 em branco e 10 votos em José Medeiros (PSD-MT).
Eunício defendeu o diálogo. “É hora de unir, não de dividir. Neste momento em que o país atravessa uma grave crise política e institucional, é preciso reaproximar o governo e o Congresso da sociedade brasileira”, afirmou.
Logo após a votação, o porta-voz do Planalto, Alexandre de Parola, cumprimentou o peemedebista. “Em parceria com o Senado e com os senadores e senadoras que integram a base de apoio do governo, o presidente Michel Temer pretende avançar nas reformas que, dia a dia, vão recolocando o Brasil de volta nos trilhos do crescimento e da prosperidade.” Citado na delação do ex-diretor da Odebrecht Cláudio Melo, como beneficiário de R$ 2,1 milhões pagos pela construtora, Eunício — que no documento é apelidado de “Índio” — garantiu que combaterá a corrupção, mas que é preciso ser firme quando um poder se levanta contra o outro.
Ele, no entanto, foi reticente na defesa, feita por Renan, de que o sigilo das delações seja levantado de uma vez. A presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, homologou as delações, mas transferiu para o futuro relator a missão de abrir os documentos.
A eleição de Eunício, que foi ministro das Comunicações no governo Lula, deixou marcas no PT. A bancada se dividiu entre apoiar o peemedebista ou se recusar a votar em dois candidatos considerados “golpistas” pelos petistas. Em reunião tensa na segunda-feira, seis dos 10 senadores resistiam a apoiar qualquer um dos candidatos. Ontem, a cúpula da bancada defendeu o critério da proporcionalidade — que garantiu a indicação de José Pimentel (CE) para a primeira-secretária do Senado — mas liberou os parlamentares para votar de acordo com a própria consciência.
O senadores Lindbergh Farias (RJ), Gleisi Hoffman (PR) e Fátima Cleide (RN) divulgaram um documento extremamente duro. “Superestimando a luta institucional e insensível ao apelo da militância, a maioria da bancada preferiu não tomar uma posição clara. É um equívoco político que cobrará seu preço.” O líder da bancada, Humberto Costa (PE), rebateu. “Defendemos a proporcionalidade, não fechamos apoio a votações.”
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