"O desafio é produzir um diagnóstico do erro judiciário, compreender possíveis causas e os motivos de sua ocorrência. Diante dessas hipóteses concretas, o passo seguinte é entender o que é possível fazer em termos práticos para a vida daquela pessoa", afirma Dora.
Defensora de executivos da Odebrecht na Operação Lava Jato, entre eles Marcelo Odebrecht, a advogada também foi sócia no escritório do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos, morto em 2014.
Nos EUA, o Innocence Project já libertou 347 pessoas condenadas injustamente - muitas delas no corredor da morte. Aqui no Brasil, o projeto foi fundado em 8 de dezembro do ano passado, em parceria com o Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD). A meta é iniciar o trabalho por São Paulo com a escolha de cinco casos que servirão de teste para a formulação de um modelo próprio de atuação.
Segundo Dora, mais que atuar na reversão de erros, a iniciativa, em forma de clínica jurídica, sem fins lucrativos, pretende prevenir condenações equivocadas e ajudar a melhorar o sistema Judiciário brasileiro. Assim como nos EUA, será realizada uma parceria com uma universidade, ainda a ser definida.
Levantamento do Innocence Project americano mostra que as principais causas das condenações revistas são o falso reconhecimento do acusado, confissões forçadas, má conduta policial, falhas no trabalho do Ministério Público, defesa inadequada, perícias equivocadas e informantes mal intencionados. No Brasil, o projeto vai fazer um mapeamento das razões para as condenações injustas e organizar as informações em um banco de dados.
Formulários
Desde o início do ano, os advogados que integram o projeto estão distribuindo formulários em todo o sistema prisional de São Paulo. Com a ajuda da Secretaria de Administração Penitenciária, os presos poderão expor nesses documentos possíveis erros em suas condenações.
"Essa análise vai levar em conta se existe a prova da inocência apontada pelo detento, se ela é passível de produção, ou se a testemunha pode ser localizada ou até se existe um álibi a ser explorado", afirma a advogada.
Depois dessa seleção, será realizada uma entrevista presencial para, em seguida, dar início aos procedimentos cujo objetivo é reverter a suposta condenação injusta.
As informações são do jornal
O Estado de S. Paulo..