Ficou para este primeiro semestre o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE)do processo envolvendo a prestação de contas da chapa Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB) nas eleições de 2014. A sessão será marcada assim que o ministro Herman Benjamin liberar seu voto. Em parecer apresentado ao processo, o Ministério Público Eleitoral (MPE) relata ter encontrado “fortes traços de fraude e desvio de recursos” envolvendo contratos com gráficas que prestaram serviços à campanha. A defesa da petista alega que o laudo “peca por falta de conclusões concretas”, enquanto os advogados do presidente Temer argumentam desconhecer quaisquer irregularidades nos gastos eleitorais.
Se comprovada a ilegalidade na campanha, é bem provável a cassação da chapa, o que implicaria a destituição de Michel Temer e a eleição indireta de um presidente da República pelo Congresso Nacional.
DELAÇÃO-BOMBA Em meio à incerteza na condução do país, o ano começa quente com as delações premiadas dos 77 executivos da Odebrecht e o avanço no quarto ano de investigações da Lava-Jato – que ainda pode prender e condenar muitos empresários e políticos. Os acordos incluem os ex-presidentes Marcelo e Emílio Odebrecht, e devem reunir mais de 300 anexos, cada um deles com um assunto ou pessoa envolvida. Advogados que participaram das negociações já anunciaram que o conteúdo das delações vai sacudir o mundo político, envolvendo vários partidos da situação e oposição.
Ainda no campo do combate ao desvio de recursos públicos, a Câmara se verá às voltas novamente com a votação do pacote de 10 medidas anticorrupção, formulado pelo Ministério Público Federal. Na madrugada de 30 de novembro, enquanto os brasileiros – e o mundo – acompanhavam perplexos as notícias sobre o acidente aéreo que vitimou parte da equipe da Chapecoense e jornalistas de rádio e televisão, os deputados federais aprovavam o projeto anticorrupção com várias modificações, desfigurando o texto que recebeu mais de 2 milhões de assinaturas.
Diante da ameaça dos procuradores de abandonar a Lava-Jato, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou a votação e determinou nova votação do texto na Câmara. Entre os pontos mais polêmicos e criticados está uma emenda que prevê o enquadramento de juízes, procuradores e promotores por crimes de abuso de autoridade.
PROVA DE FOGO Na volta dos parlamentares ao Congresso em fevereiro, terão destaque as eleições para a presidência do Senado e Câmara. No Senado, ao que tudo indica, já está firmado um consenso em torno do senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), líder do partido e braço direito de Michel Temer. Mas, na Câmara, a disputa colocará à prova a capacidade do governo de articular sua base. Pelo menos quatro nomes já foram colocados na mesa: Jovair Arantes (PTB-GO), que foi relator do processo de impeachment de Dilma; Rogério Rosso (PSD-DF), presidente da comissão do impeachment e líder do partido na Câmara; André Figueiredo (PDT-CE); e Rodrigo Maia (DEM-RJ), atual presidente e nome preferido do Palácio do Planalto.
Dois meses antes da disputa, o assunto já foi parar no Supremo. Uma das ações foi ajuizada pelo Solidariedade, partido do chamado Centrão – grupo de 200 deputados de 13 legendas da base aliada – em que pede a inconstitucionalidade da candidatura de Maia. A segunda ação é assinada pelo deputado André Figueiredo. O cearense entrou com um mandado de segurança, com pedido de liminar, sob o argumento que o artigo 57 da Constituição veda a reeleição para a presidência do Legislativo dentro do mesmo mandato.
Do outro lado, a candidatura de Rogério Rosso frustra a estratégia do Centrão de tentar lançar apenas um nome do grupo para a disputa.
REFORMA POLÍTICA Em um acordo de bastidores entre líderes partidários, até para evitar interferências na eleição para os cargos de direção da Câmara, os deputados federais deixaram a tão falada e prometida reforma política para 2017. Embora no Senado alguns pontos tenham sido aprovados, como o fim das coligações em eleições para deputados e vereadores, e regras para o funcionamento parlamentar de partidos, a Câmara não fez sua parte. A Comissão Especial terminou 2016 na fase de debates sobre alterações no sistema eleitoral e financiamento das campanhas, e nem começou a analisar o texto do Senado.
Essa é uma tentativa de atrair os partidos chamados nanicos e médios para suas candidaturas à presidência da Casa, tanto o Centrão, quanto Rodrigo Maia, já acenaram que não pretendem aprovar mudanças que possam inviabilizar a existência dessas legendas. Para valer para as eleições de 2018, as mudanças na legislação eleitoral precisam ser aprovadas na Câmara e no Senado e sancionadas ou promulgadas até outubro deste ano..