Brasília- O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, avisou nesta segunda-feira, 12, ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que o presidente Michel Temer enviaria a ele um requerimento pedindo celeridade nas investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal em relação às delações da Operação Lava-Jato. Em 35 minutos de conversa, Moraes expôs o incômodo do Planalto com o vazamento do depoimento do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho, que arrastou a cúpula do governo e o PMDB para o centro da crise política.
Leia Mais
Temer quer que denúncias 'venham todas à luz'Temer envia carta a Janot e pede celeridade nas investigações em andamentoPresidente do PSB descarta ruptura, mas diz que apoio a Temer não é irrestritoJanot diz que Temer e Eunício são 'notórios aliados' de RenanPara o empresário Abílio Diniz, questões da Justiça não podem parar o paísA estratégia do governo é questionar a legalidade das delações que vieram a público até agora e, embora o discurso oficial seja o de que não se espera a anulação dos depoimentos, o requerimento lembra que, "em situação análoga", Janot suspendeu tratativas de colaboração premiada. Foi uma referência ao cancelamento da delação do ex-presidente da OAS, José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, após vazamento do conteúdo da proposta. Naquele caso, porém, o acordo com a força-tarefa da Lava Jato ainda não havia sido assinado.
Pouco antes de se reunir com Janot nesta segunda na sede da Procuradoria-Geral da República, Moraes foi chamado para uma conversa com Temer, no Planalto. O encontro com Janot não constava na agenda do ministro da Justiça, que previa compromisso em São Paulo, naquele horário, e só foi atualizada após a reunião vir a público.
O presidente planejou escrever o texto após conversar com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e com o secretário do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Moreira Franco, na noite de domingo, 11, no Palácio do Jaburu. O assunto também foi discutido em almoço, nesta segunda, com os dois e também com o líder do governo no Congresso, Romero Jucá (PMDB-RR). Todos ali foram acusados por Melo Filho de serem beneficiários de pagamento de propinas pela empreiteira.
Janot não quis falar sobre a conversa com Moraes.