Brasília, 01 - A cúpula da nova comissão da Reforma Política, que iniciará seus trabalhos na próxima semana na Câmara, defendeu nesta terça-feira, 1, que a criminalização do caixa 2 tem definitivamente de ser resolvida pelo Congresso. O tema está sendo tratado na comissão especial do pacote anticorrupção, mas caso o tema não prospere naquele colegiado, eventualmente o assunto poderá ser tratado na Reforma Política. "Se não prosperar lá, tem de prosperar em algum canto. É um problema que tem de ser resolvido", pregou o presidente do colegiado, deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), com o apoio do relator da reforma, deputado Vicente Cândido (PT-SP).
Hoje, o relator das medidas de combate à corrupção, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), anunciou que a criminalização do caixa 2 em campanhas eleitorais está previsto em seu relatório final. Segundo o relator, o texto vai prever pena de 2 a 5 anos de prisão para quem cometer o crime de caixa 2, desde que a origem do dinheiro doado seja lícita. Caso os recursos usados no caixa 2 sejam de origem ilícita, Lorenzoni afirma que os políticos e partidos deverão ser enquadrados na lei de lavagem de dinheiro, cuja pena é de 3 a 10 anos de detenção. Vicente Cândido disse que a questão é uma "lacuna na legislação". "O legislador tem de encarar isso.
Presidente e relator se reuniram hoje com técnicos da comissão da Reforma Política para traçar o plano inicial dos trabalhos. A ideia é votar, explicou Vieira Lima, os temas de forma fatiada e começar as discussões com assuntos menos polêmicos e de maior consenso, como prazo único de desincompatibilização de cargo público, regulamentação de pré-campanha e prazo de registro de candidatura. "Vamos trabalhar os temas mais fáceis, com maior possibilidade de construir maioria", concordou Vicente.
O presidente da comissão sugeriu que o voto facultativo também integre o grupo de assuntos do início dos trabalhos e citou como exemplo os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, que não votaram no segundo turno das eleições municipais. Para Vieira Lima, o voto deveria ser facultativo.
O peemedebista disse que a comissão vai atuar para resolver os temas que foram problemáticos nas eleições municipais, principalmente a questão do financiamento de campanha. O financiamento é um dos assuntos centrais do colegiado, assim como o sistema de votação, que serão intercalados na programação de debates. Há deputados que defendem a criação de um fundo eleitoral para financiamento de campanhas, outros defendem o financiamento público, e alguns falam em volta do financiamento privado.
A proposta de trabalho da comissão é realizar duas sessões por semana, uma de debates e outra para audiência pública com entidades convidadas, às terças e quintas-feiras. O grupo vai ouvir representantes da Justiça Eleitoral, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e outras entidades civis. Eles pretendem percorrer as cinco regiões do País ouvindo representantes locais às segundas e sextas-feiras.
Os deputados pretendem votar relatórios parciais à medida que cada tema for esgotado. Ainda não está definido se a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tramita no Senado sobre coligações e cláusula de barreira será tratada nesta comissão da Câmara quando o assunto for concluído pelos senadores. "Vamos fazer de tudo para não dispersar", disse Vicente Cândido..