Vale registrar a virtude do leitor
Escreve Wellington Azevedo Araújo: “Prezado Baptista: sou leitor assíduo e atento de sua coluna, pela qual o cumprimento. Sábado (29/10), li na seção Pinga-fogo sua crítica à utilização da expressão ‘em virtude de’ pelo TRE no sentido de ‘em razão de’. Segundo seus comentários, os dicionários não registram essa acepção. Fiquei encafifado, pois eu mesmo costumo usá-la dessa forma (não só eu, mas muita gente). Fui ao Houaiss e lá está, na página 2.870: virtude s.f. (…) em v. de 1 em razão de, em consequência de em v. das enchentes, vários moradores perderam tudo> (...) (Dicionário Houaiss da língua portuguesa, Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.) Portanto, os dicionários registram ‘em virtude de’ no sentido de ‘em razão de’.
Então, vale explicar: também já usei em virtude neste mesmo sentido seu, só que quem não dá o sentido de “por causa” é o Aurélio, daí a citação. Virou “briga” de dicionários”. A transcrição de virtude no Dicionário Aurélio: “1. Disposição constante do espírito que nos induz a exercer o bem e evitar o mal. 2. O conjunto de todas ou qualquer das boas qualidades morais. 3.
E tem mais Aurélio, é, ele mesmo usa em virtude no sentido de por causa, várias vezes. Vamos a elas: Significado de dever no dicionário Aurélio on-line de português: “Ato que tem de se executar em virtude de ordem, preceito ou conveniência. Obrigação”. Significado de Eclipsar: “6. Ocultar-se (um astro) em virtude de eclipse”. Também do Aurélio.
Ah! Não, chega de dicionário. Vamos ao que realmente interessa. Ao seu bolso, para ser mais exato. “Preços dos combustíveis ficam mais altos para o consumidor em BH e Contagem.
Lamentável é o comentário do presidente da Petrobras, Pedro Parente, que considerou “decepcionante” o preço da gasolina ter subido em 11 estados e no Distrito Federal”. Lamentável é seu comentário sem tomar providências, pressionar os postos. Enfim, Pedro é parente próximo da incompetência, da falta de iniciativa e deveria pedir demissão por ficar só lamentando. Deixa isso para os brasileiros no sufoco. Eles é que têm de lamentar. O preço de ter um ministro assim.
Ghost writer
“O novo estado de exceção” é o título. Primeiro um trecho: “Alerta o filósofo italiano Giorgio Agamben que a ‘exceção’ vem se tornando a ‘regra’. Ou seja, o “Estado de exceção” vem se configurando a cada dia como o paradigma de governo dominante no mundo de hoje. Não há mais a interrupção do antigo Estado democrático para a instauração de um Estado de exceção”. Mais um: Agamben analisa o caso da política de relações internacionais dos Estados Unidos, cujo fulcro de poder reside nas intervenções militares. E dá como exemplo o Afeganistão e o Iraque. Impressiona a cultura do senador Lindbergh Farias (PT-RJ), para citar filósofo italiano publicado em site assumidamente petista. O seu currículo: direito, superior incompleto, UnB, Brasília. Direito, superior incompleto, PUC, Rio de Janeiro. Citar Giorgio Agamben? Vai ter cultura assim. Não, não o senador, falo do seu ghost writer.
Fazendo escola
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está fazendo escola, depois que recorreu à Organização das Nações Unidas (ONU) diante do risco de ser preso pela Operação Lava-Jato da Polícia Federal (PF) em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF). É que o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou, por 7 votos a 4, a possibilidade de o aposentado requerer novo benefício, se acumular a aposentadoria com salário, se continuar trabalhando. Mas o que tem a ver com Lula? É que o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical resolveu também recorrer, só não foi à ONU, foi na Corte Interamericana de Direitos Humanos. Em tempo: a Força alega que a medida fere a “dignidade humana do aposentado” e que se trata de “real confisco”.
Marcha a ré
Enquanto o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), declarou que a “esquerda deve olhar menos para trás e mais para frente”, em matéria do alto, aquele site assumidamente petista preferiu não seguir o bom conselho. Atacou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) de tudo quanto foi jeito. Tratou a candidatura presidencial do também tucano Geraldo Alckmin como “irreversível”, de traição ao governador Fernando Pimentel (PT) o apoio dado a João Leite pelo vice-governador Antônio Andrade (PMDB) e por aí vai. E sobrou para Alckmin, bem escondidinho. E incluiu que a vitória em Fortaleza fortalece Ciro Gomes (Rede). Ah! Para não perder o costume, atacou, como sempre, o presidente Michel Temer (PMDB). De graça! Tratou como política do “quanto pior, melhor” o déficit fiscal de R$ 85,5 bilhões. Aliás, “rombo” foi o termo.
PINGAFOGO
Em tempo: a entrevista coletiva de Aécio Neves (PSDB) sobre as eleições foi feita no Senado. E ele fez questão de frisar como um “desserviço” discutir, agora, as eleições presidenciais de 2018. Para bom entendedor...
Para ser sincero e justo com o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), este escriba confessa também nunca ter ouvido falar do tal filósofo italiano Giorgio Agamben, autor do artigo que ele publicou. Então, repito: vai ter cultura assim. Não o senador, o seu ghost writer.
Giorgio Agamben é um filósofo italiano, autor de obras que percorrem temas que vão da estética à política. Seus trabalhos mais conhecidos incluem sua investigação sobre os conceitos de Estado de exceção e homo sacer. Ihh! Piorou. Homo sacer? O google ensina: é Agamben mesmo que inventou o termo. Ah! Então tá.
O que faltou de bom foi convencer o eleitor, a não ser os que estavam em dúvida se votavam em branco ou nulo. Se depender do debate, eles já decidiram. Será um ou outro. O voto em branco ou nulo, bem entendido, não para os candidatos. Uai! Repeteco?
Para registro: foi comentário da coluna sobre o debate da TV Alterosa na semana da eleição. E confirmado nas urnas. Se juntar também a abstenção, bem, melhor nem repetir sobre a preguiça do eleitor.
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