Jornal Estado de Minas

Coluna do Baptista Chagas de Almeida


Longo caminho, mas agora vai

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), denunciado pelo Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF-DF), virou réu de novo na 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília, que é especializada em lavagem de dinheiro. O ex-ministro Antonio Palocci (PT) continua preso na Operação Lava-Jato da Polícia Federal. E nada menos que 300, em uma lista, 200 em outra e, pelo menos 100, em uma terceira lista.

E neste caso não são todos “ex”. A relação vai de Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, passa pelo senador Valdir Raupp (PMDB-RO), que já foi líder da bancada de senadores peemedebistas e, como não poderia deixar de ser, chega ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para ficar só nos maiorais. É certo, contudo, que extrapolaram no trato do dinheiro público. Mais que isso, expropriaram os cofres federais, sem contar direito os estaduais e municipais.

Por falar em Eduardo Cunha, nem precisa voltar ao passado. Foi esta semana, mais especificamente na segunda-feira, que a sua mulher, Cláudia Cruz, pediu na 6ª Vara Cível da Justiça Federal do Paraná a rejeição da ação civil pública de improbidade administrativa a que ela responde. Ela e o marido caíram nas garras das investigações da Operação Lava-Jato da Polícia Federal (PF) com as bênçãos do Ministério Público Federal (MPF).

Mesmo que Cláudia Cruz compareça à audiência usando um dos vestidos caríssimos que comprou em Paris, ela dificilmente conseguirá escapar.

E isso se houver a chance de mostrar o seu belo vestuário, já que a decisão pode, aliás, ser tomada de ofício, pelo juiz encarregado na Justiça paranaense.

Por que tudo isso em uma semana quebrada pelo feriado de quarta-feira e pelo desprezo de quem emendou, quem pôde emendar, melhor dizendo, porque nas empresas privadas não têm essas regalias dos políticos, muito antes pelo contrário?

É porque, à beira da piscina, no trabalho, em casa onde quer que seja, é preciso ficar atento à Operação Lava-Jato. O juiz Sérgio Moro, apenas cumprindo as suas obrigações com o rigor que elas merecem, pode nem ter esta intenção, mas vai mudar o curso da história de corrupção deste país. Palmas para ele, nem precisa pedir. Bastou ele entrar em um teatro para ser aplaudido de pé pela plateia assim que foi reconhecido.

Aprendeu nas ruas
“The answer my friends is blowin’ in the wind… The answer is blowin im the wind’…” Uai, a coluna agora fala inglês? Melhor deixar mais claro: “A resposta, meu amigo, está soprando ao vento... A resposta, meu amigo, está soprando ao vento...” O que tem isso a ver com a política? É que o cantor e compositor Bob Dylan ganhou o Prêmio Nobel de Literatura. É, literatura. Necessário acrescentar que Dylan lançou ou foi personagem de uma coleção de livros.
Por que o prêmio da academia? “Por ter criado novas formas de expressão poética no quadro da grande tradição da música americana”. Então, melhor o próprio Bob Dylan explicar: “A política mudou. O tema mudou. Na década de 60, havia um monte de gente saindo de escolas onde haviam aprendido política com os professores que eram pensadores políticos, e estas pessoas ocuparam as ruas. A política que aprendi, aprendi nas ruas, porque era parte do meio.”

A agenda fala
Depois do feriado de Nossa Senhora Aparecida, o que é bem apropriado, o presidente Michel Temer (PMDB) alterou sua agenda. Para não perder tempo com detalhes, vamos direto a ela. “11h – Eliseu Padilha (foto) – Ministro-Chefe da Casa Civil da Presidência da República e Secretário Executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Palácio do Planalto. 15h – Mendonça Filho Ministro de Estado da Educação”.
É “pura coincidência” (entre aspas mesmo). Mendonça Filho foi aquele que divulgou a “DR” do presidente Michel. Tradução simultânea: a tal DR é “discutir a relação”. Já Mendonça Filho garantiu sobre a PEC do limite de gastos: “Pode ser que os recursos destinados à educação cresçam”. Mais uma da série “acredite, se quiser”.

No cardápio, a bênção
O presidente Michel Temer (PMDB) recebeu, em pleno feriado, no Palácio do Jaburu, residência oficial, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). No cardápio, a proposta de emenda constitucional (PEC) que limita os gastos à inflação do ano anterior pelos próximos 20 anos. Chamar FHC para uma conversa deste tipo faz o maior sentido. Afinal, no governo do ex-presidente tucano é que foi lançado o Plano Real, em tempos bem piores, com hiperinflação. Como foi no dia dedicado a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, será que eles rezaram um terço pedindo bênção para tudo dar certo?

Mérito médico
O acadêmico e cirurgião plástico Ivo Pitanguy, falecido em 6 de agosto deste ano, recebeu, em homenagem póstuma, a Medalha de Ordem do Mérito Médico, concedida pelo Ministério da Saúde, na classe de Grande-Oficial pelos relevantes serviços prestados à saúde. A data da homenagem ainda está sendo combinada com a família.
O cirurgião plástico ficará em boa companhia no rol de agraciados com a Ordem do Mérito Médico. Só alguns exemplos: dona Zilda Arns, Adib Jatene, Dráuzio Varela e Sérgio Arouca, entre outros notáveis. Vale o registro: Ivo Pitanguy é mineiro de Belo Horizonte, onde nasceu em 1923.

PINGAFOGO

Em tempo: a frase da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) sobre “cortar gastos” está em artigo publicado ontem naquele site que não esconde a sua predileção pelo PT. Se mais comentários. Desnecessário, né?

Foi anunciado aqui, mas agora já é fato. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) bateu o martelo, ou melhor, a enxada, em favor de apoiar o projeto com as 10 medidas sugeridas pelo Ministério Público Federal (MPF). É daquela proposta de iniciativa popular que teve 2,5 milhões de assinaturas.

Presidente da frente, o deputado Marcos Montes (PSD-MG) fez o resumo da ópera: “A vontade da sociedade civil não pode ser ignorada”. A bancada ruralista é a mais numerosa da Câmara. A oposição já pode pôr as barbas de molho.

Registro histórico: foi na edição de terça-feira, do Diário Oficial da União (DOU), que o presidente Michel Temer publicou decreto com homenagem ao cirurgião plástico Ivo Pitanguy. Justa, não custa repetir.

Trecho de nota à imprensa: “O Instituto Lula é uma associação da sociedade civil sem fins lucrativos, que descende de entidades nascidas em 1991, com longo histórico de contribuições para a causa da democracia e inclusão social”.

“Longo histórico de contribuições”.
A nota do Instituto Lula dá duplo sentido, dupla interpretação. É para a causa da democracia e inclusão social” ou o “cofre da democracia e inclusão social”?

 

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