O chefe da assessoria Especial do Ministério da Fazenda, o economista Marcos Mendes, fez uma verdadeira maratona em defesa da Proposta de Emenda à Constituição 241, a PEC do Teto de Gastos. Na quarta-feira, ficou das 10h às 22h tirando dúvidas dos parlamentares. Na sua avaliação, contrariando os pessimistas, a Câmara não só não desidratou a PEC como até a deixou mais consistente. "O relatório melhorou muito o texto. Na forma como está, considero uma revolução." A seguir, os principais trechos da entrevista.
Qual a sua expectativa em relação à tramitação da PEC?
É muito boa. Passei 12 horas no Congresso tirando dúvidas. Vários partidos já fecharam questão. Aprovada na Comissão, deve ir à votação segunda e terça, porque o texto é polêmico.
Por quê?
Hoje o poder público se compromete em fazer mais despesas do que é possível e gera restos a pagar. Os restos a pagar hoje somam R$ 180 bilhões. Debatemos muito essa questão e a fórmula final, engenhosa, pensada por várias cabeças para acabar com isso, foi fazer a PEC controlar o limite financeiro e o limite orçamentário.
Poderia explicar a diferença disso comparando com o orçamento familiar?
No governo, assim como numa família, há uma série de despesas que variam ao longo do tempo.
Não resistiram a essa ideia?
Os parlamentares gostaram. Isso vai valer para as emendas deles. Toda despesa que estiver no orçamento vai ter caixa para pagar. Estamos indo para um realismo orçamentário. Aquela velha frase de que orçamento no Brasil é peça de ficção deixa de existir. Também estimula o planejamento. Fica claro para o gestor o que ele pode ou não gastar, então terá de eleger prioridades.
Se é tudo tão organizado, por que a enorme polêmica com saúde e educação?
Primeiro, é preciso entender a regra para saúde.
E no caso da educação?
Os lobbies dos sindicatos são fortes porque há uma preocupação do funcionalismo do setor. Mas é preciso entender que o principal gasto da Educação está fora da PEC: os R$ 13 bilhões por ano de complementação da União para o Fundeb
(o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica)
.
(que não inclui despesa financeira)
. O ProUni está fora, porque é feito com renúncia de receita. O Fies é uma despesa financeira. Isso não quer dizer que esses programas não precisam ser checados, mas não estão no Teto. Outra coisa que as pessoas não estão entendendo é que a PEC é para o governo federal. Não afeta o financiamento estadual e municipal da educação. Essa tem sido uma dúvida recorrente. As informações são do jornal
O Estado de S. Paulo..