Foguetório no ar, buzinaço no asfalto, verde-amarelo no peito e até um bolo para comemorar o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Tão logo saiu o resultado da sessão final do julgamento da petista – 61 votos contra 20 –, muitos brasileiros saíram às ruas, com cara de vitória, em São Paulo (SP), Brasília (DF), Maceió (AL) e Belo Horizonte, onde alguns chegaram a levar um aparelho de televisão para o coreto da Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul. Em contraponto, defensores da ex-mandatária do país xingaram os manifestantes de “fascistas” e “golpistas”, enquanto alguns, mais tranquilos, mantiveram a camisa de campanha de Dilma em 2014.
Na capital paulista, manifestantes levaram cartazes, alguns com as frases “Chora, petista” e “Moro, Moro”, essa referente ao juiz da Operação Lava-Jato, Sérgio Moro, e marcaram presença em frente à sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na Avenida Paulista. A data foi celebrada com um bolo decorado com a Bandeira do Brasil e repartido entre os manifestantes e pessoas que passavam. Além disso, o grupo queimou bonecos com a imagem de Dilma, brindou com espumante e pôs fogo numa camiseta da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
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TENSÃO Para celebrar e assistir à repercussão da votação, integrantes do movimento patriotas.com instalou uma tevê “doada por uma empresa” no coreto da Praça da Liberdade. Enquanto ajustava a imagem do aparelho, o engenheiro civil Cipriano Oliveira, morador do Bairro Mangabeiras, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, disse que estava muito feliz com o resultado da sessão que afastou definitivamente Dilma do Palácio da Alvorada. “Venceu a luta do povo. Este dia marca o início de uma nova etapa no país.” Oliveira adiantou que o objetivo agora é organizar os movimentos sociais que tomaram conta das ruas do Brasil em favor do impeachment e transformar “a sociedade civil organizada no quinto poder – depois do Executivo, do Legislativo, do Judiciário e da imprensa”. Em tom de satisfação, citou até um verso: “o governo populista pode roubar o dinheiro do povo, mas jamais vai tirar a alma e o coração deste povo”.
Moradora do Bairro Carlos Prates, na Região Noroeste, a professora Márcia Peluso, também vestida de verde- amarelo, se irritou ao saber que Dilma não perdeu os direitos políticos, o que vai lhe permitir concorrer em eleições futuras.
Enquanto os manifestantes ocupavam o coreto, jovens que passavam nas ruas dirigiam insultos a eles, sem, no entanto, intimidar. “Fascistas” e “golpistas”, eram os termos mais comuns. “Não revidem, eles querem é isso”, comentou uma senhora, mas era tarde demais. Do coreto, os manifestantes respondiam com “Mortadela, vai pra casa”, apelido que os petistas receberam em resposta ao “Coxinha” dos que apoiaram o afastamento de Dilma. Ainda na praça, a fisioterapeuta paulista Alessandra Barbosa, em viagem a BH, disse que estava muito triste. “Não foi bom, foi um golpe na democracia, o processo foi mais político do que um julgamento. Acho até melhor estar aqui, senão estaria em casa, diante da TV e sofrendo”, afirmou.
No Centro da cidade, não havia sinais de tensão entre os antagonistas.