Jornal Estado de Minas

Delator acusa prefeita de Governador Valadares em megaesquema de corrupção

A prefeita de Governador Valadares, Elisa Costa (PT), foi citada pela primeira vez no megaesquema de corrupção que deu origem à Operação Mar de Lama, a força-tarefa que apura desvio de erário, superfaturamento em contratos e fraudes em licitações na maior cidade do Vale do Rio Doce. Já o Partido dos Trabalhadores foi acusado de arrecadar propina para financiar a campanha à eleição municipal deste ano. A citação do nome de Elisa e a acusação contra a legenda constam na delação premiada prestada ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG) por Vilmar Rios Júnior, apelidado de Juninho Tabajara e tido como tesoureiro da quadrilha. Ele foi secretário municipal de Obras e diretor do Serviço de Abastecimento de Água e Esgoto (Saae), autarquia municipal onde trabalhavam os cabeças da organização criminosa,  e acabou detido na primeira fase da operação, em abril passado.


Tabajara afirmou que o nome da petista consta numa relação de pessoas que deveria receber propina de empresas que prestam serviço à prefeitura. Acrescentou que a quantia a ser paga a Elisa seria de R$ 60 mil, referente “a empréstimos para a campanha de 2012”, quando ela foi reeleita. O repasse, contudo, não foi feito pelo tesoureiro. Ele não soube informar se alguém o fez.

A prefeita, em nota, rechaçou veementemente ter recebido qualquer vantagem indevida.

“Jamais recebi do delator quaisquer valores indevidos seja para o que for. Aliás, o próprio delator, em sua delação, no que diz respeito aos supostos gastos de minha campanha eleitoral, afirma, categoricamente, que ‘não efetuou qualquer pagamento (...) e nem ficou sabendo se algum pagamento foi realizado’”, informou a prefeita em nota.

A força-tarefa vai se aprofundar na delação premiada que cita a prefeita. Como Elisa tem foro privilegiado, os investigadores avaliam se o caso deve ser encaminhado ao Tribunal de Justiça, que tem competência para autorizar apuração contra chefes de Executivos municipais, ou ao Tribunal Regional Federal (TRF), uma vez que parte dos crimes praticados pela quadrilha é no âmbito da União. A operação ainda pode entender se tratar de crime eleitoral. Neste caso, o assunto será declinado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

ELEIÇÃO O delator ainda informou que tentou conseguir propina para ele próprio por meio de contratos que já estavam em vigor. Contudo, foi informado por outros membros da organização que as vantagens indevidas já estavam com cartas marcadas. Vilmar disse, por exemplo, que “o contrato de iluminação pública já estava com os valores indevidos comprometidos com Omir (Quintino, braço-direito da prefeita e apontado como um dos cabeças do esquema) para custear a campanha a prefeito de Leonardo Monteiro”.  Deputado federal, Monteiro, até a deflagração da Mar de Lama, era tido como candidato certo do partido à sucessão de Elisa.
A reportagem não conseguiu contato com o parlamentar, que não vai disputar a eleição.

A Mar de Lama se transformou em dor de cabeça para vários políticos de Governador Valadares. Desde abril, quando foi deflagrada a primeira das sete fases, 25 pessoas foram detidas, entre elas cinco vereadores, cinco secretários municipais e o ex-procurador-geral do município. Diretores do Saae, uma das principais autarquias do Leste de Minas, também foram detidos. Outros investigados, como seis vereadores, foram afastados de suas funções por decisão judicial. O nome da operação é uma referência ao estrago causado pelas chuvas de 2014 na cidade. Para reparar parte dos estragos, o governo federal repassou aproximadamente R$ 4 milhões à prefeitura. Boa parte do dinheiro, contudo, foi desviada pela quadrilha. Durante as investigações, foram descobertas outras irregularidades.

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