Brasília, 06 - Parlamentares que defendem a cassação do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) concluíram que o parecer do relator Ronaldo Fonseca (PROS-RJ) sobre o recurso do peemedebista é frágil e que não há motivo para anular a sessão que aprovou o pedido de cassação no Conselho de Ética da Câmara. Para eles, o objetivo do recurso na Comissão de Constituição e Justiça é protelar e evitar que o processo chegue ao plenário antes do recesso parlamentar.
"Cunha vai ser derrotado mais uma vez na CCJ. Depois dos muitos crimes que cometeu, não há outra saída senão a cassação do mandato", disse o líder da Rede na Câmara, Alessandro Molon (RJ). O deputado considerou "gravíssima" a solicitação no parecer pela anulação da votação no conselho e disse que o colegiado respeitou todas as regras, principalmente porque a votação com chamada nominal ocorreu em acordo unânime e o regimento não diz que chamada nominal só poderá ocorrer se o painel eletrônico estiver quebrado. "Os aliados querem evitar que a votação chegue ao plenário. Dizer que a chamada nominal provoca efeito manada insulta os parlamentares. Faz comparação com gado, diz que não temos opinião formada", afirmou.
Relator do processo de cassação no conselho, o deputado Marcos Rogério (DEM-RO) negou que a chamada nominal tenha provocado um "efeito manada" em desfavor de Cunha. "O voto de Wladimir (Costa) foi definido antes da votação, em mensagens trocadas antes da votação.
Rogério disse ter ficado surpreso com o voto de Fonseca rejeitando 15 itens apontados por Cunha como irregulares. "Me surpreendeu positivamente em relação aos demais pontos", enfatizou. O tucano Betinho Gomes (PE) considerou o relatório de Fonseca frágil e disse que a alegação do relator não se sustenta. "A argumentação foi pífia", disse.
O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) disse que os aliados de Cunha continuam tentando manobrar com o recurso para protelar. "Não dá para aceitar essa manobra totalmente infundada.