"Eu me oriento por saber quem comemorou.
"Esta saída acontece num momento em que você tem uma situação de crise humanitária, de conflitos graves no mundo, especialmente no Oriente Médio. E é preciso lembrar que a saída do Reino Unido enfraquece o poder militar da União Europeia. Tudo isso é preocupante", prosseguiu.
O líder do governo no Senado reforça que a gestão Temer não tem intenção de criticar a decisão do Reino Unido, por respeito à soberania britânica. Ele, contudo, lamenta pessoalmente a saída e diz que isso reforça sua posição contrária a decisões plebiscitárias. "Isso tudo reforça em mim o horror que eu tenho à democracia plebiscitária.
Com relação aos efeitos econômicos, o tucano disse ser cedo para precisar o impacto que a decisão do Reino Unido pode ter na negociação do acordo entre a UE e o Mercosul, mas admite que é um fator de preocupação. Ele também destaca que, como a economia brasileira está em um processo, a seu ver, de recuperação, turbulências no mercado financeiro mundial são ruins. "Claro que hoje ainda as coisas estão muito voláteis, movimento de bolsas, moedas. Nessa matéria, acho que é preciso nos alinharmos ao pensamento do conselheiro Acácio, célebre personagem de Eça de Queiroz que diz: 'As consequências vêm depois'. Por enquanto, não dá pra medir, mas bom não é."
Mercosul
O senador refutou que haja, por parte do novo governo interino brasileiro, um interesse em enfraquecer o Mercosul. O ministro de Relações Exteriores, José Serra, colega de partido de Aloysio, vem defendendo a realização de acordos bilaterais com outros países, rompendo a lógica do atual bloco Sul-Americano.
O senador disse ser simpático à ideia da liberação para acordos bilaterais independentes do bloco e afirmou que a medida não vai necessariamente colocar o Mercosul em risco de se desmantelar. Ele admitiu, contudo, que há riscos para a economia brasileira se a Argentina, por exemplo, fechar acordos diretos com a China. Mas ele argumenta que tudo está sendo ponderado e que medidas de transição podem ser adotadas, como a adoção de uma saída escalonada de tarifas externas comuns. "Tudo está sendo pesado pelo governo e nenhum passo vai ser dado sem uma sintonia fina com a Argentina.".