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Estado de Minas

Coluna do Baptista Chagas de Almeida


postado em 24/06/2016 12:00 / atualizado em 24/06/2016 08:05

(foto: Arte/Soraia Piva)
(foto: Arte/Soraia Piva)

Casamento com a corrupção

A Operação Lava-Jato da Polícia Federal (PF) não é apenas implacável. Oferece também o inevitável trocadilho. Não dá para resistir. Paulo Bernardo não “planejou” direito. Em sua ação de ontem, a PF levou para a prisão o ex-ministro do Planejamento, tanto dos governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto da presidente afastada Dilma Rousseff (PT).

Se família corrompe unida, o casal de políticos é exemplo. Já que ela tem foro privilegiado, os federais fizeram “apenas” busca e apreensão na casa da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), esposa de Paulo Bernardo, que, aliás, foi também titular da pasta de Comunicações. Mas, pelo jeito, não foi “comunicado” previamente da ação da polícia contra ele. O ex-ministro foi detido em Brasília. A busca e a apreensão foram na casa do casal, em Curitiba, no Paraná.

Tem sido recorrente nesta coluna comentários sobre a corrupção. A questão, no entanto, é que não há como fugir das denúncias que, a cada dia, aparecem com novos personagens, como no caso de Paulo Bernardo e Gleisi Hoffmann, que só agora se tornaram alvos da Operação Lava-Jato da Polícia Federal. Fazer o quê?

Não há como fazer diferente, a não ser mudar de operação e passar à Custo Brasil, também da Polícia Federal, que, de cara, fez busca e apreensão na sede do Partido dos Trabalhadores (PT) em São Paulo. E foi precavida.

Contou com homens armados do Grupo de Pronta Intervenção da Polícia Federal para fazer a segurança na parte de fora da sede do PT, devidamente auxiliados por policiais militares. E, para mais garantia, a Rua Silveira Martins, onde fica o QG petista, foi interditada para o trânsito de veículos.

Depois das manifestações na cidade, todo cuidado é pouco. Em várias delas, manifestantes pró e contra o impeachment de Dilma e em defesa de Lula saíram feridos, em brigas e ações policiais.

Violência pouca é bobagem. A verdadeira violência é contra o bolso do contribuinte, que sua a camisa, paga uma das maiores cargas tributárias do mundo e vê seu dinheirinho, fruto de esforço no trabalho, financiar atos corruptos.

Placar da votação
A questão do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), a julgar pelas contas de experientes parlamentares, já está praticamente definida. A aprovação na contabilidade deles terá no mínimo 58 votos, mas fala-se em 61 votos e os mais ousados chegam a 63 senadores a favor do impedimento da presidente afastada. A aposta mais forte, no entanto, de gente que transita com desenvoltura no Senado, é que o placar será de 61 votos favoráveis. Vão sobrar os petistas e os senadores de outros partidos ligados a ela.

Xodó vem a BH
Já foi dito aqui em outra ocasião, mas ele estará de volta em breve a Belo Horizonte. O ministro da Saúde, Ricardo Barros, vem aqui para ouvir a choradeira, ops, as reivindicações dos deputados mineiros, que ficam animados com sua presença. É que o ministro é o xodó dos parlamentares, considerado o que melhor os atende. Além disso, ele é também reconhecido por ter agilidade na liberação de recursos. Especialmente das emendas parlamentares que os deputados destinam às suas bases eleitorais. Daí o xodó!

Telefona para ele

“Um abraço de afogado”. Assim classificou o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, medida que a equipe econômica do governo pretende adotar. Ela acaba com a isenção ao agronegócio da contribuição previdenciária sobre a receita obtida com exportação. “Precisamos saber de onde vem essa conversa. Tivemos reunião com o presidente e ninguém levantou o assunto. Vou defender o produtor até ficar só com o toco da espada nas mãos”, declarou Maggi. Ora, se ele não sabe, uma sugestão: dê uma ligadinha para seu colega, o ministro da Fazenda Henrique Meirelles.

Duplicação a jato
O governador Fernando Pimentel (PT) negocia com o ministro dos Transportes, Maurício Quintela, e já está praticamente sacramentado o acordo para que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) assuma a elaboração do projeto da duplicação do Anel Rodoviário de Belo Horizonte. É necessária a rescisão do convênio que deu ao estado a incumbência da obra. Mas já está tudo acertado. Como Quintela é também o ministro de Aviação Civil, é torcer para que os recursos saiam a jato, porque BH precisa e o anel é uma via muito perigosa.

Rombo compartilhado
A Petrobras informou aos participantes do Plano Petros Sistema Petrobras (PPSP) — o chamado plano de benefícios definidos do fundo de pensão da estatal — que eles terão que aumentar a contribuição a partir de 2017, durante 18 anos. A medida é para auxiliar a cobrir o rombo atuarial de R$ 16,1 bilhões. A compensação será dividida entre assistidos e a estatal, que deve aumentar também o aporte para o fundo.

PINGAFOGO

Em tempo: o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, fez as reclamações, depois que os senadores Ronaldo Caiado (DEM-GO) e José Medeiros (PSD-MT) desceram a lenha no governo.

Pode anotar. A semana que vem deve ocorrer o recorde de presença de deputados e senadores em Brasília. É que, por causa da legislação eleitoral, as emendas têm que ser liberadas até o próximo dia 30.

Daí tanta correria em Brasília. O presidente em exercício Michel Temer (PMDB) prometeu liberar as emendas de 2014 e 2015, que estavam congeladas. E elas vão para as bases dos parlamentares. Em ano de eleição...

O senador Zezé Perrella (PTB-MG), que era suplente, passou a ser titular no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado.

Perrella ocupa a vaga aberta com a mudança de bloco de Telmário Mota (PDT-RR), que também se tornou titular. O Conselho de Ética é composto por 15 senadores titulares e outros 15 suplentes.

 


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