Com pelo menos um tiro na barriga, Josiel Benites foi socorrido e encaminhado para o Hospital da Vida, no município vizinho de Dourados.
Procurado, o Hospital da Vida não deu mais informações sobre o quadro de saúde dos feridos. O conflito resultou na morte do agente de saúde indígena, Cloudione Rodrigues Souza, de 26 anos.
O clima na região é de extrema tensão. Informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) dão conta de que o número de feridos poder ser maior, porque os indígenas se dispersaram pelo território, em fuga, com a chegada de cerca de caminhonetes, motocicletas, cavalos e trator usados por pistoleiros, capangas e homens que chegaram atirando contra o acampamento em que os índios estavam. Trata-se da Fazenda Yvu, que está em terra indígena e atualmente é alvo de processo de demarcação pelo Ministério da Justiça (MJ).
Segundo o Cimi, em filmagens feitas pelos próprios índios, é possível ver uma centena de homens armados, queimando motos e demais posses dos indígenas. "A maioria dos indivíduos está vestida com um uniforme preto; nas filmagens, é possível ouvir gritos de: 'Bugres! Bugres!', forma pejorativa usada para se referir aos indígenas na região sul do País", informou o órgão.
O ataque foi uma resposta à retomada realizada pelos indígenas de Tey'i Kue na Fazenda Yvu, vizinha à reserva. No último domingo, 12, um grupo de 100 famílias reocupou o território chamado de tekoha Toropaso, onde incide a Fazenda Yvu.
Em maio, os indígenas estiveram em Brasília, pressionando pela publicação do relatório da terra indígena Dourados-Amambai Peguá. Sob pressão, a Funai assinou o relatório.