Publicidade

Estado de Minas

Coluna do Baptista Chagas de Almeida


postado em 24/05/2016 12:00 / atualizado em 24/05/2016 10:06

(foto: Arte/Soraia Piva)
(foto: Arte/Soraia Piva)

Pacote impopular, mas é necessário

“Nenhuma ação para obstacularizar a Operação Lava-Jato ou qualquer outra operação”. A frase é do ex-ministro Romero Jucá (PMDB) para se defender das acusações de estar agindo para interferir nas investigações da Operação Lava-Jato da Polícia Federal. É, ela mesmo, a que dá calafrios na parte podre dos políticos.


E, para ilustrar a fala de Jucá, o significado de “obstacularizar” é impedir, empatar, complicar, bloquear, obstruir, entre outros. Todos cabem na fala do ministro. Você escolhe o mais adequado. Se bem que, na verdade, todos eles servem. Você já conversou com alguém que usou essa palavra? Provavelmente, não. Então, é virar a página e deixar Jucá e seu rico vocabulário para lá. Afinal, o cargo ele já deixou.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), nem esperou a cadeira presidencial esquentar com seu novo ocupante. Tratou de largar o discurso em defesa da presidente Dilma e procura se aproximar do presidente Michel Temer.


Renan, pelo cargo que ocupa, sabe das coisas, especialmente que os senadores devem aprovar o impeachment de Dilma. Daí é melhor sair na frente na aproximação com o Palácio do Planalto e seu novo ocupante e não atrapalhar, já que isto ele poderia fazer.


Ainda mais que o pacote do presidente Temer não é fácil de ser digerido. Mas ele vai direto para o plenário do Congresso, que reúne deputados e senadores. Queima etapas e permite ao governo acelerar a aplicação das medidas, por mais dolorosas que sejam.


Como o déficit nas contas não atinge apenas a União, mas também os estados, os governadores vão fazer coro à pressão para que os projetos sejam aprovados. E ela será valiosa, já que eles têm forte influência sobre os parlamentares de seus estados.


Hoje, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, anuncia as medidas – várias delas já conhecidas – que o governo vai tomar, até porque não tem escapatória. Com um déficit estimado em mais de R$ 170 bilhões este ano, elas serão duras e impopulares, porém, necessárias.


O ministro, é preciso lembrar, é do ramo. Já ocupou a pasta e foi também presidente do Banco Central. E bem-sucedido em suas gestões, embora tenha enfrentado várias crises. É torcer para que ele continue assim.


Visita de candidato
O presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Wellington Magalhães (PTN), e o candidato do prefeito Marcio Lacerda (PSB) à sua sucessão, Paulo Brant (E), e mais 15 vereadores se reuniram ontem para tratar das eleições (foto). Brant foi se apresentar oficialmente aos vereadores como pré-candidato de Lacerda. A iniciativa agradou a base e foi vista como um gesto de cordialidade por parte do candidato de Lacerda.

Filho de peixe
O deputado estadual João Leite (PSDB) vem atendendo constantemente a imprensa esportiva do Rio de Janeiro. Motivo: avaliar a atuação de seu filho, Helton Leite, goleiro do Botafogo, que está virando ídolo do time. Helton, já batizado pela torcida de “o paredão” pelas belas defesas, está no lugar de Jefferson de Oliveira, que está machucado e desfalca o time. Quanto à política, João Leite prefere desconversar e avisa: “Vai tudo muito bem, obrigado”.

E o lado de cá?
E por falar no ministro Henrique Alves, a pérola do dia é dele: “Esses turistas irão movimentar a economia do país, com gastos em hotéis, restaurantes, aluguel de veículos, agências de viagens e tantos outros setores impactados pelo turismo”. Aliás, turistas australianos, canadenses, americanos e japoneses não precisarão tirar visto para vir ao Brasil nas Olimpíadas. O ministro tem razão com suas previsões. Pena que a recíproca não seja verdadeira. E isso ele não cobrou.

Cada um na sua
Sobre a tentativa de intervir e silenciar a Polícia a Federal sobre a investigação da Operação Lava-Jato, em relação ao provável ex-ministro da Justiça, Romero Jucá (PMDB-RR), veio de cada partido uma sentença. Desta vez, quem tucanou não foi o PSDB, foi o DEM: “O conteúdo da denúncia é grave, mas não interferiu no impeachment”. Então, tá. O PT acusa o ministro de usar o impeachment “como moeda de troca para livrar políticos citados na operação”. O PPS pegou pesado. Pediu o afastamento do ministro.
Mas da medalhinha para cima o ataque é do PSOL: a prisão de Jucá.

Esqueceram de mim
Meta Fiscal era o título. Em seguida: “O presidente interino, Michel Temer, e os ministros do Planejamento, Romero Jucá, e da Casa Civil, Eliseu Padilha, estão reunidos com o presidente do Senado, Renan Calheiros”. Por fim, “Mais informações a seguir”. E elas vieram mesmo. E logo a seguir. “O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, também está reunido na Presidência do Senado”. Afinal, se o assunto era a meta fiscal, um tema de economia, discutir logo sem o ministro da Fazenda seria o fim da picada. A presença de Jucá foi antes dele tirar “férias”.

Pingafogo


Com um rombo estimado em R$ 200 milhões (ou mais), o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tinha mesmo que participar de reunião no Congresso. Afinal, a meta fiscal deve ser votada hoje.

Por falar nisso, o ex-ministro do Planejamento Romero Jucá tratou logo de tirar o corpo fora – literalmente – e culpou o governo anterior da presidente Dilma (PT) por esconder o tamanho do rombo.

 “O atual governo não vai repetir o anterior, que maquiava os números”, disse Jucá, antes de sair, para justificar o tamanho o enorme rombo. Uai, o ministro da Fazenda anterior era maquiador, trabalhava em salão de beleza?

A crise política atinge a economia, que não já anda bem das pernas. O cenário político conturbado fez o dólar subir e a Bolsa de Valores cair. Bem, a Bolsa acompanhou Jucá. Caiu.

“Eu acho que este governo não se sustenta por três meses, porque vai tentar impor um programa antipopular.” A previsão é do senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que se mostra um otimista inveterado.
n  Não acredita? Veja só outro comentário de Lindbergh (foto) no Senado: “E eu acredito ainda que, no julgamento final da presidente Dilma, que a gente possa reverter aquela votação do impeachment”.


Publicidade