'PT tornou a corrupção sistêmica na Petrobras', diz Delcídio em entrevista

Durante o programa Roda Viva, na TV Cultura, o ex-senador também procurou se defender das acusações e amenizar o esquema de corrupção na estatal

Estado de Minas
- Foto: Reprodução/Roda Viva
Em entrevista ao programa Roda Viva, transmitido na noite desta segunda-feira na TV Cultura, o ex-senador Delcídio Amaral, cassado na semana passada, voltou a dizer que a corrupção na Petrobras durante o governo do PT ocorreu de forma sistêmica. “Não foi o PT que inventou a corrupção. Isso vem em uma evolução, mas a gente tornou isso um quadro sistêmico e deu no que deu”, afirmou o ex-senador, respondendo à pergunta da jornalista Eliane Catanhede. Para o ex-senador, foi durante o primeiro governo de Luís Inácio Lula da Silva que se “criou um nível de operação concatenado”.


Durante o programa de entrevistas, Delcídio também procurou se defender das acusações e amenizar o esquema de corrupção na Petrobras. “Quando você indica alguém pro governo isso não quer dizer que você indicou alguém para roubar”, explicou. O senador cassado admitiu que errou ao ter, segundo sua versão, aceito a pressão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente afastada Dilma Rousseff para tentar obstruir a Justiça ao tentar interferir nas investigações da Lava Jato.

"Acabei cometendo esse deslize e fui efetivamente denunciado por obstrução da Justiça. Quero destacar, é uma falha grave pela qual me desculpei, não deveria ter feito isso.

Agora, não fui acusado por roubo, desvio de dinheiro, conta no exterior", afirmou.

Questionado se colocaria a mão no fogo pelo presidente interino, Michel Temer, Delcídio respondeu negativamente. Ele também negou ter conhecimento se o vice-presidente tem algum envolvimento em esquemas de corrupção. "Não posso botar a mão no fogo, até porque não conheço bem as relações dele", disse Delcídio, ao participar do programa.

O senador cassado negou reiteradamente ter se beneficiado pessoalmente de recursos desviados no petrolão, como apontado em delações como de Cerveró e de Fernando Baiano - considerado o operador do PMDB no esquema de desvios. Segundo Delcídio, após passar pro procedimentos de depoimentos "rigorosíssimos", ele "passou a limpo" tudo que se dizia sobre sua pessoa. "Não me beneficiei, isso ficou muito claro", enfatizou.

Com agências

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