PSDB critica montagem de eventual governo Temer, mas diz que vai dar apoio

Cúpula tucana se diz preocupada com a forma como vice conduz escolha de sua equipe e afirma que qualquer integrante do partido na Esplanada será considerado cota pessoal do vice

Isabella Souto
Após comandar reunião da executiva do PSDB, Aécio Neves afirmou que partido cumpre seu papel institucional ao apresentar propostas para um eventual governo Temer - Foto: George Gianni/PSDB/Divulgação

Um eventual governo de Michel Temer (PMDB) ainda nem começou e já vive o primeiro descompasso com um dos partidos aliados, o PSDB. Depois de se reunir com a cúpula tucana em Brasília, o presidente nacional do partido, senador Aécio Neves (PSDB), criticou as articulações políticas para a composição do novo governo – caso os senadores optem pela continuidade do processo de impeachment e afastem a presidente Dilma Rousseff (PT) em votação marcada para o próximo dia 11. Horas depois, Aécio afirmou que manifestou essa preocupação ao vice-presidente e reiterou que o PSDB não vai indicar nomes para cargos federais, mas não criará dificuldades em caso de convite a tucanos. E ainda anunciou apoio “absoluto” do PSDB ao Palácio do Planalto.


“Nós realmente nos preocupamos com as notícias que hoje já são públicas da forma pela qual o governo está sendo constituído. Nós temos o receio de que esse governo se pareça muito com aquele que está terminando os seus dias”, afirmou o senador mineiro, numa referência às barganhas feitas pelo vice-presidente num eventual governo, entregando cargos a partidos que estavam há algumas semanas na base do governo do PT.

Também presente ao encontro, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, argumentou que a sigla não tem meta de preencher cargos, mas apoiar o governo Temer por “convicção” do atendimento de interesses dos brasileiros. Logo após reunião da Executiva Nacional do PSDB e seis governadores, algumas lideranças tiveram um encontro com o vice-presidente Michel Temer no Palácio do Jaburu, quando foi entregue a ele um documento com 15 pontos necessários para que a legenda dê apoio ao PMDB.

O posicionamento de Aécio e Alckmin ocorreu no momento em que integrantes do PSDB têm sido procurados por interlocutores de Michel Temer para fazer parte da nova equipe ministerial. Entre os cotados para assumir um posto está o senador José Serra (SP), que participou do encontro de ontem, mas não quis dar entrevista à imprensa. Dentro da cúpula do PSDB, uma participação de Serra no governo será tratada como uma indicação da cota pessoal do vice-presidente, e não do partido.

“Confiamos no presidente Michel Temer, na sua capacidade de dar ao Brasil de novo esperança, mas a convergência que conseguimos construir em torno do PSDB, enfatizada pela unanimidade dos governadores que aqui estiveram presente, é de que o PSDB prefere não participar com cargos no governo.

E sim da agenda parlamentar, porque é essa que, na verdade, possibilitará a tirada do Brasil da crise”, declarou Aécio. O tucano ressaltou ainda que uma questão que gera apreensão nos governadores é uma revisão do pacto federativo e impasses que estão na Justiça – como a discussão da dívida dos estados com a União, atualmente na pauta do Supremo Tribunal Federal (STF).

Apoio absoluto Ao sair da reunião no Palácio do Jaburu, onde apresentou a Michel Temer o documento com 15 pontos, Aécio Neves assegurou o apoio das bancadas da legenda na Câmara dos Deputados e no Senado a um eventual governo do peemedebista. “Fizemos, portanto, nosso papel institucionalmente. O documento está entregue, nosso apoio congressual será absoluto, mas ele não precisa, do ponto de vista da ocupação de cargos, se preocupar com o PSDB”, disse Aécio. O tucano ponderou que o partido está ciente de que “qualquer apoio gerará desgaste”, mas que a legenda está disposta a correr o risco.

Ainda de acordo com o presidente nacional do PSDB, durante o encontro no Palácio do Jaburu teriam sido apresentadas a Temer as críticas em relação à montagem de seu governo. “Eu disse ao vice-presidente Michel Temer que, no caso dele, do seu governo, a primeira impressão é a única que existe. É preciso que, logo na largada, não apenas na constituição do governo, mas também das propostas que deverá apresentar ao país, é importante que elas gerem a esperança, o otimismo que vem faltando ao Brasil para enfrentar essa crise”, disse. (Com agências)

Os 15 pontos do PSDB

» Combate irrestrito à corrupção e continuidade das investigações, em especial a Lava-Jato. Garantia da independência funcional da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Tribunal de Contas da União (TCU), Polícia Federal e Ministério Público.

» Reforma política imediata, com a imposição de cláusula de desempenho eleitoral mínimo para o funcionamento dos partidos políticos e adoção do voto distrital misto e do fim das coligações proporcionais. Discussão da implementação do parlamentarismo a partir de 2018.

» Renovação das práticas políticas e profissionalização do Estado. Combate incessante ao fisiologismo e à ocupação do Estado por pessoas sem critérios de competência.

» Manutenção e qualificação dos programas sociais, em especial Bolsa-Família, Minha casa, minha vida,  Pronatec, Fies e Prouni.

» Revisão dos subsídios fiscais para fomentar o crescimento.

» Responsabilidade fiscal. O Executivo deverá apresentar em até 30 dias medidas para a recuperação do equilíbrio das contas públicas.

» Combate à inflação, preservando o poder de compra dos salários.

» Simplificação do sistema tributário, tornando-o mais justo e progressivo. Apresentar nos primeiros 60 dias de governo uma proposta de simplificação radical da carga tributária.

» Reformas para a produtividade.

» Maior integração com o mundo, reorientando a política externa e comercial.

» Colocar em prática a sustentabilidade.

» Reformulação das políticas de segurança pública.

» Educação para a cidadania.
Apoio a estados e municípios que cumprirem metas rigorosas de cobertura e melhoria da qualidade e equidade nos sistemas de ensino.

» Mais saúde.

» Mais autonomia para estados e municípios.

 

 

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