A informação de que a petista vai ao Congresso foi confirmada na noite dessa segunda-feira (1º) pelo ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, em reunião com líderes no Senado. Mais cedo, em entrevista coletiva, o titular da Casa Civil, Jaques Wagner, disse que ainda não estava batido o martelo sobre a ida da presidente. O discurso a ser lido por Dilma terá caráter semelhante ao feito por Dilma na reunião do Conselhão, na última semana.
Wagner elencou alguns pontos que podem ser tratados. "Não conheço a fala da presidente, ela que preparou com as pessoas de seu entorno, a sua assessoria. Ela vai falar da zika, evidentemente da situação econômica e das medidas no Congresso e que ela gostaria que fosse agilizada a tramitação. Provavelmente, ela vai falar da CPMF", afirmou.
Jaques disse, porém, que Dilma não falará sobre o processo de impeachment pelo qual responde.
A ida da presidente ao Congresso foi bem recebida por líderes do Senado. O líder do PDT, Acir Gurgacz (RO) avaliou como positiva a ida. "É um sinal de que ela quer união", disse.
Planejado
Tudo foi planejado pelo Palácio do Planalto para Dilma recuperar o protagonismo político, mostrar que não se intimida com o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, e defender propostas para enfrentar a crise. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), comandará a sessão do Congresso. Renan esteve nessa segunda-feira (1º) no Palácio do Planalto e acertou com Dilma como será conduzida a sessão.
Esta é a primeira vez que Dilma irá pessoalmente ao Congresso para entregar a mensagem como presidente, desde que assumiu o Palácio do Planalto, em 2011. O ritual geralmente é cumprido pelo ministro da Casa Civil e Dilma já havia exercido essa tarefa em 2010, quando ocupou esse cargo, no governo Lula.
Abalado por turbulências políticas e econômicas, o governo prepara várias ações para mostrar que não está parado e sair da agenda negativa. Nessa segunda-feira (1º), por exemplo, Dilma gravou um pronunciamento em rede nacional de rádio e TV, para pedir intensa mobilização da sociedade no combate ao mosquito Aedes aegypti.
Cunha afirmou que não atacará a presidente durante a sessão do Congresso. "Eu não seria deselegante de emitir qualquer palavra que possa ser considerada agressão ou ofensa", comentou o presidente da Câmara. "Não faz parte da minha natureza. Sou uma pessoa educada."
O ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, disse que Dilma vai usar a mensagem ao Congresso para pedir apoio aos parlamentares.
Para Renan, o gesto de Dilma em enviar pessoalmente a mensagem ao Congresso tem grande importância. "Significa uma mudança de patamar na relação", observou o presidente do Senado. "Ela demonstra que quer conversar e o papel do Congresso Nacional é preservar o interesse do País. É sobretudo uma oportunidade para que possamos discutir os rumos do Brasil, que, nesse ano, apresenta as mesmas dificuldades do ano que passou", concluiu.
Com Agência Estado.