Peemedebistas saem em defesa do ministro da Saúde

Marcelo Castro, que vem sendo duramente criticado na pasta da Saúde, recebeu apoio tanto de aliados como dos adversários

Juliana Cipriani
Deputado José Guimarães, líder do governo na Câmara, garantiu ontem que a permanência do correligionário no cargo está garantida - Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Alvo de críticas e acompanhado de perto pelo Palácio do Planalto por causa das declarações desastradas sobre o combate ao mosquito Aedes aegypti, causador de dengue, chikungunya e zika, o ministro da Saúde, Marcelo Castro (PMDB-PI), contabilizou ontem alguns apoios, pelo menos publicamente. Do PMDB, a defesa veio tanto do seu padrinho político, responsável pela indicação que o levou ao cargo, o líder Leonardo Picciani (RJ), quanto do adversário dele na disputa pela liderança do partido na Câmara, Hugo Motta (PB). Embora nos bastidores aliados e governistas estejam “fritando” o ministro, o líder do governo, José Guimarães (PT-CE), também manifestou “confiança” no peemedebista.


Apesar das especulações de que ele poderia cair, a permanência do ministro está garantida, segundo o líder José Guimarães, que se reuniu com Marcelo Castro recentemente. O petista disse que o ministro está fazendo um esforço “sobre-humano” para enfrentar a epidemia do “maldito” mosquito. “Ele tem sido um entusiasta dessas campanhas, tem nosso apoio e confiança de que dará conta do recado”, afirmou. Pelo Twitter, o candidato a novo líder do PMDB Hugo Motta também manifestou “apoio e confiança” no trabalho do correligionário indicado pelo rival Picciani. “Não tenho dúvidas que com o empenho de todos e o suporte do governo federal vamos conseguir avançar na batalha contra o Aedes aegypti”, registrou.


No PMDB, porém, o apoio não é integral e a tendência, segundo o deputado Lúcio Vieira Lima (BA), é que com a proximidade das eleições de 2016, ele perca sustentação, pois os parlamentares seriam também prejudicados pelos problemas na saúde. “O governo está queimando o rapaz.

Como o estilo do PT é a fritura, o ministro Marcelo vai perder apoio dentro da bancada, porque ninguém vai ficar apoiando uma coisa que é desgastante”, disse. Lima, porém, diz que, embora o ministro tenha cometido equívocos, a culpa pela situação é de Picciani. “Se tem algum sócio da Dilma em termos de zika, é o Picciani. Ele bancou o ministro em nome de seus interesses pessoais e ela topou negociar com uma coisa sagrada, que é a saúde.”

Pérolas

Há semanas, Marcelo Castro vem colecionando pérolas quando abre a boca, como quando culpou as mulheres por contraírem o zika vírus ao manter as pernas de fora ou desejou que elas tivessem a doença antes do período fértil. Ele também já disse que o Brasil “perdeu feio a guerra ao Aedes aegypti”e foi obrigado a se desmentir sobre a distribuição de repelentes, que, inicialmente afirmou que seria para todas as grávidas, mas no fim, era apenas para as cadastradas no Bolsa-Família. Outra bola fora foi nomear para a coordenação nacional de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas, o colega de profissão, psiquiatra Vanencius Wurch, ex-diretor de um dos maiores hospícios da América Latina, a Casa de Saúde Dr. Eiras. O local foi fechado em 2012 em meio a denúncias de maus-tratos aos internos.


Picciani disse que há muita intriga em relação ao seu indicado. “Há setores que tentam fabricar uma crise política que não existe atacando o ministro. Ele está sólido na sua função e o importante é focar o combate ao Aedes aegypti, essa deve ser a prioridade”, afirmou. Para o líder peemedebista, Marcelo Castro está fazendo bem o trabalho e não lhe cabe avaliar suas palavras. “Acho que há um exagero nas interpretações. Pegam as coisas não necessariamente no contexto adequado”, disse.


Marcelo Castro se licenciou do cargo de deputado federal para assumir o Ministério da Saúde em outubro do ano passado.

Logo depois de chegar à pasta, ele já havia feito uma declaração polêmica sobre a CPMF, dizendo que é o “melhor imposto que existe”. Na Câmara, Castro levou uma “tamancada” do presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ao relatar a reforma política. Cunha disse que faltou “inteligência e perspicácia política” ao colega ao propor a redução do mandato dos senadores.

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