Autor do projeto que previa o aumento do Bolsa-Família, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) atacou “mais uma vez, a ineficiência do governo” ao vetar a proposta apresentada por ele que corrigia os benefícios pelo índice da inflação. “Em um momento de grave crise, os primeiros a sofrer e de forma mais profunda são os que mais necessitam, ou seja, exatamente os beneficiários do Bolsa-Família. A presidente Dilma, com seu veto, mais uma vez sacrifica a população que mais precisa do apoio do governo”, escreveu o senador mineiro, em nota oficial.
A justificativa da presidente Dilma em mensagem enviada ao Congresso Nacional ao cortar a possibilidade do benefício é amparada na situação de crise econômica do país. “Se sancionado, o reajuste proposto, por não ser compatível com o espaço orçamentário, implicaria necessariamente o desligamento de beneficiários do programa”, escreveu nas razões do veto ao Congresso.
Ao criticar a presidente, o senador mineiro afirmou que governo teria, sim, condições de aumentar o valor do programa. “O Bolsa-Família este ano será de R$ 26 bilhões para uma despesa não financeira do governo central estimada em R$ 1,105 trilhão. Se quisesse, o governo teria como aumentar o programa, que responde por apenas 2,4% da despesa não financeira do governo central. Um reajuste de 11,6% no Bolsa-Família teria impacto de cerca R$ 3 bilhões.”
DESPREPARO Líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR) responsabilizou a ausência de planejamento a longo prazo. “É um governo que não tem limites, que conseguiu desorganizar a economia do país e agora os trabalhadores estão sofrendo as consequências, com perdas no seguro- desemprego, aos pescadores, e agora, ao Bolsa-Família. Os trabalhadores estão pagando uma conta altíssima porque o governo não conhece o mínimo de planejamento a longo prazo. É muito gasto com corrupção, dinheiro desperdiçado e, por isso, tem de cortar de quem precisa. ”
O líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC), defendeu que a presidente adotou a melhor medida para garantir o reajuste. “Se ela sancionasse o reajuste, teria de cortar pela metade o número de beneficiários. Não tinha como manter os dois porque o impacto seria muito alto.