Jornal Estado de Minas

Dilma reunirá ministros da área econômica para tentar salvar 2016

Brasília – A três dias do término de 2015, a presidente Dilma Rousseff reunirá os ministros da área econômica – exceção feita ao presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que está fora do país – em uma tentativa de evitar que o fantasma da recessão que assombrou o país este ano continue apavorando a vida dos brasileiros no ano que vai começar. A presidente quer se concentrar no pacote de ações que pretende encaminhar no primeiro trimestre do ano que vem ao Congresso, além de uma atenção às medidas ainda em tramitação no Legislativo que compõem o ajuste fiscal elaborado pelo ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy.

Vítimas do caos econômico e pressionado pelos eleitores para que restabeleçam a normalidade nos estados que administram, 13 governadores estarão também hoje em Brasília, entre eles o anfitrião, Rodrigo Rollemberg (DF), para discutir a deterioração das contas públicas. A idéia do grupo, suprapartidário, e que inclui os governadores dos três maiores estados dos país – Geraldo Alckmin (SP), Fernando Pimentel (MG) e Luiz Fernando Pezão (RJ) – é elaborar um documento conjunto, com pleitos e carências, que será posteriormente levado à presidente Dilma Rousseff.

O encontro no Palácio do Planalto abordará os quatro eixos pensados pelo governo para tentar reverter a crise que paralisou os investimentos brasileiros, aumentou o desemprego e fez a inflação disparar no primeiro ano do segundo mandato da petista. Segundo apurou a reportagem, os quatro eixos são: previdenciário; mecanismos para melhorar as relações entre patrões e empregados para brecar o desemprego; mecanismos para aumentar o nível de investimentos no país; e debates sobre uma nova reforma tributária.

São pontos espinhosos, de difícil diálogo com o Congresso e com os movimentos sociais. O primeiro deles, por exemplo – a reforma da Previdência –, gerou ruídos com a base social do governo. Mal assumiu o cargo de ministro da Fazenda, Nelson Barbosa sinalizou a necessidade de adoção de uma idade mínima para aposentadoria. As centrais sindicais, especialmente a CUT e a Força Sindical, reclamaram, alegando que este tema não estava na pauta de discussões do fórum criado pelo governo para discutir a Previdência.

Os outros pontos da agenda tampouco são fáceis de serem alcançados. Setores do PT e do governo chegaram a defender, quando Joaquim Levy ainda era o ministro da Fazenda, que fosse usada parte das reservas internacionais para aumentar o nível de investimentos públicos.

Levy rechaçava a ideia e ela foi repelida com ênfase por Barbosa tão logo assumiu o posto. Ele classificou a proposta de “primária”.

Quanto às propostas que ainda estão em tramitação no Congresso, o governo deve tentar retomar, com poucas chances de êxito, o debate sobre a recriação da CPMF como uma maneira de financiar a Saúde. Além dos ministros econômicos – Nelson Barbosa, Valdir Simão (Planejamento), Armando Monteiro (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Miguel Rossetto (Previdência) – devem participar do encontro o chefe da Casa Civil, ministro Jaques Wagner, e o ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini.

Enquanto isso...

...Cunha traça estratégias


O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), desembarca hoje em Brasília com a agenda ainda em aberto. Na semana passada, ele comandou uma reunião de líderes para debater os próximos passos do processo de impeachment da presidente Dilma e marcou uma reunião com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, para questionar alguns pontos da decisão do STF. Foi surpreendido com a abertura do encontro para a imprensa.  Embora fragilizado pelas denúncias de corrupção investigadas pela Operação Lava-Jato, Cunha ainda se mantêm firme no cargo de presidente da Câmara, especialmente enquanto o STF não julgar – o que deve acontecer no início de fevereiro – o pedido feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para que ele seja afastado do cargo e do mandato de deputado..