O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) voltou a dizer que fará o possível para ajudar a presidente Dilma Rousseff (PT) a enfrentar a crise e manter seu mandato. Ele negou, no entanto, que este apoio inclua uma participação ativa como interlocutor da presidente junto ao Congresso Nacional. “Estou fazendo tudo o que estiver ao meu alcance, mas por dentro do PDT. Nada de articulação com mais ninguém”, disse neste sábado.
Ciro jantou com a presidente Dilma na última quinta-feira, depois de ter acusado o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), de ser o “capitão do golpe” do processo de impeachment da petista. O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), um dos principais nomes da ala pró-Dilma do partido, também estava no encontro. O jantar causou irritação entre peemedebistas do Senado. Alguns chegaram a dizer, reservadamente, que Dilma estaria cogitando colocar Ciro Gomes na articulação política da Casa.
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Congresso Nacional terá "super semana" de votaçõesSupremo pode decidir sobre processo de impeachment já na quarta-feira Lupi: receptividade ao nome do Ciro em 2018 é muito boa entre dirigentes do PTCiro veio à capital gaúcha acompanhar a convenção estadual do PDT. Na prática, veio unir o diretório gaúcho do partido em torno da defesa da presidente Dilma. O senador Lasier Martins (PDT-RS), por exemplo, se manifestou favorável à abertura do processo de impeachment, contrariando a posição de Ciro e do presidente nacional da legenda, Carlos Lupi.
Em conversa com jornalistas antes do evento, Ciro voltou a criticar Temer e afirmou que teve uma “vontade imensa de rir” ao ler a carta em que o peemedebista reclama à Dilma da falta de apoio a ele e ao PMDB. “Aquilo foi de uma miudice (sic) sem precedentes e um ato de absoluto desrespeito levando em conta a gravidade da crise que o País está vivendo”, falou.
Ele também argumentou que não há base legal para o processo de impeachment, já que as pedaladas fiscais não podem ser consideradas um crime de responsabilidade. “Impeachment não é remédio para governo que a gente não gosta”, disse.
Segundo Ciro, a presidente está bastante serena. "Eu falo tudo com ela franca e fraternalmente. Eu não guardei para mim nenhuma reserva do que estou pensando sobre a questão brasileira", revelou, acrescentando que a população tem razões para estar descontente com o governo, dada a deterioração da economia.
Ciro é pré-candidato do PDT às eleições para a Presidência da República em 2018. "Se o partido quiser que eu seja candidato, serei em qualquer circunstância", disse. Antes disso, de acordo com o e ex-ministro e ex-governador do Ceará, a prioridade é preservar a democracia. "Tenho muitas afinidades com a presidenta Dilma, mas não é por elas que eu estou falando o que estou falando. Eu estou convencido de que um golpe nesse instante introduz no Brasil uma instabilidade para 20 anos e introduz entre nós a violência na política.".