O presidente da Construtora OAS, Elmar Varjão, foi preso na sexta durante a Operação Vidas Secas, da Polícia Federal, que investiga superfaturamento em obras da transposição do Rio São Francisco. Esse é o segundo presidente da empreiteira preso pelos federais em menos de um ano. Varjão é sucessor de José Aldemário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, preso em novembro, na Operação Lava-Jato, por suspeita de envolvimento com desvios de recursos da Petrobras. Leo, que foi preso ao lado de outros três executivos da empresa, foi condenado a 16 anos e quatro meses de prisão.
Além de Varjão, a operação desencadeada na sexta, prendeu temporariamente outros três dirigentes da Coesa Engenharia, Barbosa Melo e Galvão Engenharia, que integram o consórcio de empresas responsável pelo trecho da transposição entre o agreste de Pernambuco até a Paraíba. As investigações, de responsabilidade da Polícia Federal, apuraram um sobrepreço de R$ 200 milhões em dois lotes da obra, que estava orçada em R$ 680 milhões.
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Varjão, da OAS, e Mario de Queiroz Galvão, da Galvão, estão entre presos pela PFDiretores de empreiteiras são presos por desvios na transposição do São FranciscoPF investiga fraude em obras da transposição do Rio São FranciscoMensagens de executivo condenado na Lava-Jato citam Wagner, Haddad e BendineCongresso Nacional terá "super semana" de votaçõesTransferência De acordo com o delegado Marcelo Diniz, superintendente da PF em Pernambuco, o esquema usado na obra de transposição do Rio São Francisco foi o mesmo da Petrobras.
Segundo a PF, a primeira fase da operação teve início no ano passado, a partir de relatórios técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria Geral da União (CGU). Neles, laudos apontavam indícios de superfaturamento nas obras de terraplanagem nos lotes 11 e 12 da transposição. Durante a apuração, a PF constatou que parte do dinheiro enviado pelo Ministério da Integração Nacional para uma conta única do consórcio ia para as empresas de fachada e a JD.
Balanço Além das quatro prisões dos executivos, os federais cumpriram 24 mandados de busca e apreensão e quatro de condução coercitiva em Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia e Brasília. Uma casa que pertence a Varjão, em Alphaville, região nobre de Salvador (BA), também foi alvo de busca e apreensão. Nas diligências, os investigadores apreenderam computadores, mídias e documentos técnicos como mapas e boletins de medição.
Com a investida, a PF pretende reunir elementos que também comprovem irregularidades cometidas pela Ecoplan, responsável pela assessoria técnica da obra, e pelas empresas Concremat e Arcadis, que formam consórcio responsável pelo gerenciamento de todas as obras da transposição. “Suspeitamos que houve omissão por parte dessas outras empresas. Primeiro atuamos nos núcleos econômico e operacional”, disse o delegado Felipe Leal, que preside o inquérito. Ele acrescentou também que, desde ontem, investiga a possível ligação de servidores públicos e políticos no esquema. “Queremos saber se houve facilitação e para quem foi esse dinheiro afinal”, concluiu.
A obra de transposição do Rio São Francisco é tocada pelo governo federal e foi iniciada na gestão do ex-presidente Lula. Segundo o Ministério da Integração Nacional, responsável pela execução da obra, engloba a construção de quatro túneis, 14 aquedutos, nove estações de bombeamento e 27 reservatórios.