Brasília - O governo tenta desde essa terça-feira, 10, promover ajustes no texto do projeto de repatriação de recursos no exterior que pode ser votado em plenário da Câmara na tarde desta quarta-feira. O líder do governo na Casa, José Guimarães (PT-CE), indicou que o Planalto ainda não tem votos suficientes para aprovar o texto considerado essencial pelo Executivo para arrumar suas contas deficitárias.
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Secretário da Receita e bancada do PMDB na Câmara discutem repatriaçãoFalta clareza no texto sobre repatriação de capitais, diz vice-líder do governoGoverno não tem votos suficientes para aprovar repatriação, diz líder na CâmaraAprovação da repatriação de recursos do exterior é avanço importante, diz LevyCâmara aprova projeto para repatriação de dinheiroGoverno aceita alíquota de 30% de multa e IR da repatriação, diz GuimarãesRelator deve acatar emenda sobre declaração única em texto de repatriaçãoA estratégia governista envolveu encontros de líderes com o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, e reuniões entre a liderança do governo com as bancadas. O secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, também se reuniu com a bancada do PMDB, a maior da Câmara, com 67 deputados, para falar do projeto. O relator do projeto, deputado Manoel Júnior (PMDB-PB), montou uma pasta distribuída a líderes com perguntas e respostas e detalhes para dirimir dúvidas sobre o texto.
"(A estratégia para aprovar será) arrumar votos", afirmou Guimarães. Para ele, o principal foco de divergências é em relação ao destino do dinheiro arrecadado com o pagamento de multa. Em seu parecer, Manoel Júnior estabeleceu que os recursos serão destinados a Estados e municípios, por meio dos fundos constitucionais. Mas o governo quer que o dinheiro seja direcionado para fundos regionais que permitirão a reforma do ICMS. Hoje, o relator se reunirá com líderes da base aliada para fechar detalhes do projeto.
Ajustes
Outros pontos estão sendo questionados até pelo PT.
A oposição já anunciou que pretende usar todos os mecanismos possíveis para tentar obstruir a votação do projeto. Segundo o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), o partido votará contra a matéria. "Pode pintar de ouro que vamos votar contra a repatriação”, afirmou.
Senado
Líderes do Senado concordaram em retomar projeto de repatriação, caso a Câmara não conclua a votação. "A proposta dos líderes é que, se não houver deliberação até amanhã (hoje), o Senado deve apreciar", afirmou o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). A expectativa é de que Renan traga para o plenário do Senado na próxima semana o projeto de autoria de Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que serviu de base para o projeto enviado pelo governo à Câmara.
O Planalto busca acordo com Renan e Cunha para garantir a rápida aprovação da proposta, que deve ajudar a reforçar caixa do governo ainda em 2015; projeto pode repatriar de R$ 150 bilhões a R$ 200 bilhões. Renan já havia dito que a Casa poderia retomar o projeto que trata da repatriação, caso os deputados não dessem prosseguimento à votação. "Se a Câmara não concluir, será o caso de conversamos para darmos prosseguimento à tramitação", disse. .