Jornal Estado de Minas

Governo Dilma enfrenta bloqueios de estradas por caminhoneiros


Em meio a ameaças de impeachment, crise com o Congresso e aliados e números desfavoráveis na economia, o governo federal enfrenta agora o descontentamento dos caminhoneiros. Convocados pelo Comando Nacional do Transporte (CNT), motoristas bloquearam nessa segunda-feira (9) trechos de estradas de 13 estados brasileiros: Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins. Os manifestantes se declararam autônomos e independentes dos sindicatos da categoria. Contrários ao governo Dilma Rousseff (PT), eles pedem a saída da presidente, o aumento do valor do frete, reclamam da alta de impostos e do preço dos combustiveis, entre outros pontos.

Os bloqueios foram em sua maioria parciais, com a ocupação de apenas uma pista. Os carros de passeio puderam transitar normalmente. A entidade organizadora da paralisação, o CNT, é presidida por Ivar Luiz Schmidt. Em comunicado distribuído no fim do mês passado, o comando informou que a manifestação conta com o apoio de grupos que pedem a saída de Dilma, como o Movimento Brasil Livre, o Vem Pra Rua, o Revoltados On Line e o Movimento Brasil Livre (MBL). Segundo Schmidt, os caminhoneiros agora somente vão negociar com “o próximo governante”.

Mas a greve rachou a categoria, que em abril deste ano fez um longa paralisação.
Entidades como a Confederação Nacional dos Transportes Autônomos (CNTA), a União Nacional dos Caminhoneiros (UNC) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística da CUT (CNTTL) divulgaram nota contra o protesto. Em nota, a CNTTL classificou o protesto dessa segunda-feira como uma “manobra” de um “grupo que tenta usar os caminhoneiros em prol de interesses políticos, que nada têm a ver com a pauta de reivindicações da categoria”. O movimento foi criticado também pela Associação Brasil Caminhoneiro (ABCAM), que considerou o ato político.

O ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, afirmou que o movimento teve o objetivo de desgastar politicamente o governo Dilma. “O governo respeita todas as mobilizações e manifestações, mas no nosso entendimento esta é uma greve pontual, que tem se caracterizado pela aspiração única de desgastar o governo. Você não pode apresentar uma greve cujo principal objetivo é gerar desgaste ao governo. É uma greve que não busca melhorias para a categoria”, afirmou Edinho.

Pedras

Em Minas, caminhoneiros pararam nessa segunda-feira em pelo menos oito trechos das rodovias federais mineiras. Na grande maioria, os bloqueios, que começaram na madrugada, foram parciais.
Na BR-262, em Igaratinga,o bloqueio foi total, com a liberação apenas de veículos de passeio, com carga viva ou medicamentos. Em Pitangui, no Centro-Oeste, alguns manifestantes colocaram fogo em pneus no meio da pista, perto do Parque de Exposições. Nos demais trechos, os carros ocuparam as faixas de acostamento e, em alguns casos, uma das pistas, deixando as outras livres para o trânsito. Em Igarapé, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, na beira da BR-381, alguns motoristas tentavam impedir que outros seguissem viagem jogando pedras nos veículos ou fazendo ameaças. A Polícia Rodoviária Federal teve de intervir. No final da tarde, foi formada uma fila de quatro quilômetros.

O casal de caminhoneiros José Joaquim de Oliveira e Michele Nascimento, que vinham de Santa Bárbara do Oeste, São Paulo, para deixar uma carga em Contagem, na RMBH, disse ter sido obrigado pelos piquetes a parar o veículo. Segundo eles, homens que estavam em um Opala preto ameaçaram danificar o caminhão caso eles não atendessem ao chamado para aderir à paralisação. Carlos, que não quis ser identificado pelo nome completo, saiu sábado de Penha, em Santa Catarina, transportando pescado para a região metropolitana.
“Mas não me deixaram seguir. Ameaçaram jogar pedra, deitaram na rodovia para a gente não seguir e disseram que se insistíssemos, nos parariam de novo lá na frente. Meu patrão disse para eu não discutir e não correr risco, então estou parado.” Depois da intervenção da PRF, todos seguiram viagem.

Caminhoneiro há 32 anos, Cleber Marcelo Martins Santos disse que aderiu ao movimento porque está tendo dificuldade em continuar rodando por causa dos altos custos do diesel, dos pedágios e do baixo valor do frete. “Não há condição de sobreviver pagando, em alguns lugares, até R$ 3,60 pelo litro de diesel.”

Entidades envolvidas com a produção e comercialização de combustíveis informaram nessa segunda-feira que não há, por enquanto, risco de desabastecimento nem necessidade de correr aos postos para encher o tanque. (Com agências)

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