O dia seguinte é sempre pior
A presidente Dilma Rousseff (PT) sentiu o golpe. Primeiro sintoma: ela convocou reunião com os 31 ministros do governo. Provavelmente, imaginou passar uma imagem de que as decisões desfavoráveis do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não abalaram a normalidade do governo. Mas não conseguiu convencer.
Mesmo sabendo o que iria acontecer, a presidente se abateu diante do fato consumado. Embora o Palácio do Planalto insista em classificar as decisões judiciais como “mais um golpe”, Dilma reclamou: “Não existe nada contra mim. Não posso pagar pelo que não fiz”. O problema é que as pedaladas fiscais são reais, motivo da ação no TCU, e a Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (Aime) do TSE também tem elementos fortes para uma condenação.
Os articuladores políticos do governo vão tentar barrar a decisão do TCU no Congresso. A estratégia é conseguir uma vitória na Comissão Mista de Orçamento, primeiro destino da recomendação do tribunal.
A questão crucial, no entanto, é: como conseguir governar, articular com parlamentares que não costumam contrariar a opinião pública (Dilma tem índices de reprovação recordes nas pesquisas) e manter a máquina pública em plena normalidade diante de um tiroteio político deste tamanho?
Voltando à reunião ministerial, a reforma que a presidente fez foi justamente para ampliar a base aliada ao governo. E o que aconteceu até agora? Nada, rigorosamente nada. Nem vetos que o Palácio do Planalto sequer sonha que sejam derrubados são votados. E, mesmo com a insistência do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, é missão quase impossível aprovar a volta da CPMF.
Em resumo, a presidente Dilma Rousseff tem todo o direito de estar abatida. Sua vida não anda fácil.
Até quando?
Há uma pergunta que não quer calar. A votação no Congresso do relatório pela rejeição das contas da presidente Dilma, aprovado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), só será feita em 2016. E a previsão é de um desafeto de Dilma, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Equação política
O inferno astral da presidente Dilma Rousseff (PT) parece não ter fim. Se já enfrenta os tribunais, tem de ouvir fogo-amigo com ares de fogo-inimigo. Partiu do líder do Governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), a constatação de que a reforma ministerial feita por Dilma “não funcionou”. E a declaração foi dada em público, à Rádio CBN, para todo mundo ouvir. Delcídio pegou o fio da meada. As mudanças agradaram a uma ala do Congresso e desagradaram a outras.
Barco da oposição
O PSB está com os dois pés na oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT). Só falta oficializar, o que já tem data marcada, depois do feriado da semana que vem, no dia 14. Em setembro, os deputados e senadores socialistas já haviam concordado em deixar a postura independente e assumir claramente a oposicionista. A decisão, no entanto, precisa passar pela Executiva Nacional. Daí a reunião convocada pelo presidente Carlos Siqueira (foto). A justificativa do PSB é “o agravamento da crise política e econômica”.
Jogo bilionário
“Os jogos hoje no Brasil estão concentrados nas mãos do governo, gerando receita anual de cerca de R$ 12 bilhões. Jogos ilegais, no entanto, movimentam mais de R$ 19 bilhões, sem, porém, gerar receita para o estado.” Assim o deputado João Alberto (PMDB) justifica o debate público que pretende realizar na Assembleia Legislativa em 13 de novembro. E faz contas otimistas: “Acreditamos que a regularização desses jogos gere mais de R$ 20 bilhões em tributos”.
Na CPI errada?
É claro que acabou em bate-boca. O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Edinho Silva, como não poderia deixar de ser, negou veementemente que dinheiro desviado da Petrobras tenha abastecido os cofres da campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) no ano passado. Só que ele estava prestando depoimento na CPI dos Crimes Cibernéticos.
Pingafogo
» A unanimidade no TCU poderia não ter ocorrido. Mas, ao pedir a suspeição do ministro Augusto Nardes, relator do processo, a presidente Dilma Rousseff cutucou a onça do corporativismo com vara curta. Deu no que deu.
» Como não poderia deixar de ser, o debate em torno dos jogos tem como coautor o deputado estadual Alencar da Silveira Júnior (foto) (PDT), o maior especialista no assunto da Assembleia Legislativa.
» O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), continua jurando de pés juntos que não possui contas bancárias milionárias na Suíça. É da serie: Acredite, se quiser.
» Mas surgiu uma boa sugestão de um motorista de táxi, que pediu para não ser identificado. Já que é assim, o governo deveria pedir à Suíça que mande o dinheiro para obras sociais no Brasil.
» Na situação em que está, a presidente Dilma fica mais refém como nunca do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Cá para nós, o que é nada confortável.
» Sabe por que a reforma ministerial ainda não produziu votos para o governo no Congresso? Os novos ministros querem porteira fechada em suas pastas. E o PT não deixa..