Jornal Estado de Minas

Coluna do Baptista Chagas Almeida


Querer acordar em Nova York


Foi em tom de brincadeira, depois de ir às compras em Nova York, onde participa da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que a presidente Dilma Rousseff (PT) conversou com os repórteres que a acompanham. A certa altura, o assunto passou a ser bicicletas. A certa altura, foi lembrado que Dilma ajuda os ciclistas que caem.

E aí veio a frase emblemática: “Todos nós que podemos cair temos que ser solidários”. E, depois de uma pausa, ainda completou: “No sentido amplo da palavra”. Sintomático. Bicicleta, pedaladas fiscais, pedidos de impeachment na Câmara dos Deputados. Um enredo que parecia ser de um script pré-concebido, mesmo que sem querer.

Enquanto isso, por meio de sua fundação, o PT volta a atacar o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, por causa de sua política econômica. Pelo jeito, acharam o Cristo para crucificar diante da brutal recessão que o país enfrenta, fruto da falta de providências durante a campanha eleitoral.

A reeleição trouxe junto a recessão.

A descontração da presidente Dilma Rousseff não deve durar muito tempo. Na volta ao Brasil, voltam também os problemas. O vice-presidente Michel Temer (PMDB), no exercício da Presidência da República e ex-presidente da Câmara dos Deputados, que conhece bem, admitiu a um grupo de empresários em São Paulo que duvida da aprovação da CPMF no Congresso.

E o ministro Jaquim Levy teve que ouvir queixas do empresariado, principalmente em relação à volta da CPMF. E, pelo jeito, deu motivos para o PT pedir a sua cabeça. Se os empresários gostam do que ele disse, os petistas devem detestar.

A presidente Dilma deveria seguir a música eternizada por Frank Sinatra e querer acordar na cidade que nunca dorme. E despertar para enfrentar os problemas na volta ao Brasil.

Ligação direta

Gabriel Guimarães (PT-MG), deputado federal


O senhor é o presidente da Comissão Especial do novo Código de Mineração. Ele será aprovado na quarta-feira?
Pelo cronograma aprovado pela Comissão Especial, definimos consensualmente que a próxima convocação será para a leitura e aprovação do texto do relator.


É possível que se aprove o que é consensual, em especial as mudanças na Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem)?
No momento, a busca é por uma construção do consenso e aprovação dos principais pontos do projeto, que são: a transformação do DNPM em Agência Nacional de Mineração, a regulação da  concessão dos direitos e o ajuste das alíquotas da Cfem. Pontos  fundamentais para o setor.

O projeto abriga várias exigências ambientais, mas os ambientalistas o combatem. É possível um acordo?
O Brasil conta com uma legislação ambiental rígida e moderna, que tem se aperfeiçoado a cada dia. Com órgãos de controle independentes e mecanismos eficazes de cobrança ao empreendedor, no que se refere ao cumprimento da legislação ambiental.

Qual seria a projeção de receitas para Minas Gerais ?
Sou a favor da aplicação da máxima alíquota da Cfem para as diversas riquezas minerais, desde que essa alíquota não prejudique a competitividade da indústria nacional. Estamos passando por uma crise internacional que traz impacto na comercialização de produtos para outros países, como é o caso do minério de ferro.

Como reparar a injustiça com Minas Gerais, já que o minério só dá uma safra?

Quando, há 100 anos, Arthur Bernardes aplicou essa expressão de que o minério só dá uma safra, tínhamos muito menos riquezas minerais conhecidas e aproveitáveis do que temos hoje.


Caso Temer
Quem revela é um procurador muito ligado aos tribunais superiores. Na escolha dos indicados, não é a presidente Dilma Rousseff (PT) que cuida do caso.

A inconfidência foi feita pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele revelou que, assim que chega, a relação é enviada ao vice-presidente Michel Temer (PMDB). Tudo bem que ele é da área jurídica, mas a própria Dilma é que orienta procurá-lo. E ele é que  escolhe os novos ministros. Não é dar muito poder ao vice diante do risco de um processo de impeachment?


Isso é que é ser fiel
Não é à toa que a presidente Dilma Rousseff (PT) ainda tem dificuldades para recompor o ministério. A cada dia, aumentam as críticas às suas escolhas. Um dos mais atacados é o futuro ministro da Saúde, Manoel Júnior (PMDB-PB). Tudo bem que ele é médico, está em seu terceiro mandato de deputado, mas não tem lá tanta fidelidade partidária assim para representar o PMDB. Basta ver a sua dança de partidos: ele já foi do PMDB, de 1982 a 1990, do PSDB, de 1990 a 2001, voltou para o PMDB, entre 2001 2005, resolveu passar pelo PSB, de 2005 a 2009, e neste ano voltou ao PMDB. É, o futuro novo ministro é mesmo a favor da fidelidade partidária.

PINGAFOGO

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), bem ao seu estilo, prega “zero ministério” para seu partido.

Tradução simultânea: Cunha quer dizer para o PMDB deixar a base de sustentação do governo Dilma.

A aritmética do PMDB não fecha. Na reforma ministerial, o partido quer mais pastas que a presidente Dilma Rousseff (PT) tem a oferecer. Com os peemedebistas é assim, o apetite é grande e a comida é pouca.

O problema é que Dilma terá que fazer a escolha de Sofia. Ao optar por uma indicação do PMDB e preterir a outra, joga o rejeitado para a ala do PMDB que não morre de amores pela presidente. Como sair do impasse, eis a questão.

O Ministério da Cidadania, que vai abrigar as pastas dos Direitos Humanos, Igualdade Racial e Políticas para Mulheres, nem foi criado ainda e já está dando a maior confusão com as três futuras ex-ministras. A batata do ministro indicado, Miguel Rosseto, está assando.

O secretário de Estado de Governo, Odair Cunha (PT), recebeu do Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais a Comenda Mérito Farmacêutico 2015. A maior honraria do setor foi concedida na véspera do Dia Internacional do Farmacêutico.

E, nos próximos dias, mais novos e emocionantes capítulos da novela “Reforma Ministerial”, que não faz tanto sucesso assim na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

 

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