A Câmara dos Deputados pode começar a votar nesta quarta-feira, em segundo turno, a efetivação de 4.576 interinos como titulares de tabelionatos em todo o país sem a realização de concursos públicos. Apesar de ser considerada inconstitucional por magistrados e de contrariar recomendações do CNJ e do STF, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 471, de 2005, avançou no Congresso, após um intervalo de cinco sessões. “(Se aprovado) será mais do que um trem da alegria, porque, em muitos casos, as serventias garantem milhões de reais. Os concursos para o preenchimento dos cargos são necessários”, criticou o ministro do Supremo Gilmar Mendes. Se aprovado, o texto ainda precisará ser apreciado pelo Senado.
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Associações de juízes se unem para defender concurso para donos de cartóriosPrefeituras do Norte de Minas realizam hoje concurso para a contratação de novos funcionários Governador do Rio diz que, se fosse por concurso, Serra seria presidente da RepúblicaPBH usará biometria para evitar fraude em concursoNa reunião de ontem do colégio de líderes, não ficou definida a data da apreciação da matéria. O posicionamento dos congressistas contraria resolução baixada em 2009 pelo CNJ para obrigar o preenchimento das vagas por meio de certames públicos.
Apesar de serem organizações privadas, os cartórios são uma concessão do poder público e funcionam como órgãos auxiliares do Poder Judiciário. O lucro dos tabeliães decorre de taxas cobradas por serviços como reconhecimento de firmas e registros de atas, documentos, procurações, casamentos, testamentos e certidões de imóveis. Em muitos casos, as cifras chegam a milhões de reais.
Capitanias
Na opinião de Gilson Dipp, os parlamentares criam instabilidade institucional entre o Legislativo e o Judiciário ao votarem um texto que contraria a Constituição. Para ele, a medida causará insegurança jurídica para quem prestou concurso público. “Essa ação premia os tribunais de justiça que foram omissos em não acatar a determinação do CNJ de realizar os certames. É momento de a Câmara refletir sobre as consequências da aprovação da PEC.
O ministro do STF Gilmar Mendes comparou os cartórios às capitanias hereditárias criadas pela monarquia portuguesa, em 1534, para administrar o território brasileiro em grandes faixas e entregá-las a administração de particulares. “Será mais do que um trem da alegria, porque em muitos casos, as serventias garantem milhões de reais. Os concursos para o preenchimento dos cargos são necessários”, disse.
A Associação Nacional dos Notários e Registrados do Brasil (Anoreg) afirma que tem se mantido neutra na discussão da PEC. A entidade convocou assembleia geral extraordinária para 22 de setembro com o objetivo de definir um posicionamento. A Anoreg afirma, porém, que todos os profissionais à frente de cartórios foram levados aos cargos de forma legítima pelos tribunais de justiça estaduais, conforme legislação vigente..