O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta terça-feira, em Assunção, que programas sociais contra a pobreza devem vir antes de investimentos em infraestrutura. Ele foi convidado para palestrar no aniversário de 10 anos do programa Tekoporã, que distribui subsídios a 600 mil paraguaios por meio de um cartão, a exemplo do Bolsa Família. Diante do presidente paraguaio, Horacio Cartes, pediu que encare a fome como questão central de seu mandato. Lula citou as circunstâncias em que assumiu em 2003.
Leia Mais
Infláveis de Lula e Dilma são destaque em BrasíliaNão há nenhuma razão para impeachment, diz Lula a jornal argentinoLula sugere a Dilma blindar Levy, mas afrouxando o ajuste fiscal Lula minimiza nota de agência sobre economia brasileiraAperto fiscal
Lula disse que nações que passaram por apertos orçamentários muito fortes "ficaram mais pobres do que estavam antes do ajuste", segundo o jornal paraguaio. O ex-presidente afirmou ainda que conhece empresários excelentes, mas nenhum que trabalhe sem perspectiva de lucro. "Só quem pode fazer o investimento em que o único retorno é a saúde e a escola de uma criança, e não ter retorno financeiro, é o Estado. Só o Estado pode garantir que as pessoas tenham igualdade de oportunidades e condições", afirmou, segundo o Instituto Lula, que organiza as viagens do ex-presidente.
Lula defendeu suas visitas como palestrante à África e à América Latina. "Tenho tentado convencer os presidentes a colocar um dinheirinho para os pobres", afirmou. No dia 18 de agosto, diante de acusações de que o ex-presidente havia falado em eventos de organizações envolvidas na Operação Lava Jato, o Instituto Lula divulgou uma lista de empresas que o haviam contratado como palestrante.
O ex-presidente chegou na terça-feira, 8, a Buenos Aires. Entre quarta-feira, 9, e sexta-feira, 11, ele dará duas palestras a grupos de empresários e organizações civis, receberá dois títulos de Doutor Honoris Causa e participará de atos de campanha do candidato kirchnerista Daniel Scioli, um deles ao lado da presidente Cristina Kirchner.
.