Jornal Estado de Minas

Dirceu já não consegue mobilizar nem militantes que faziam "vaquinha" para pagar multa

São Paulo – Dos 14 dirigentes petistas que participaram da última reunião da Executiva Nacional do partido, terça-feira, em Brasília, apenas dois defenderam que a sigla manifestasse publicamente apoio ao ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, preso na véspera pela Operação Lava-Jato. A secretária de Relações Internacionais, Mônica Valente, e o secretário de Organização, Florisvaldo Souza. Mônica é esposa do ex-tesoureiro Delúbio Soares, condenado no mensalão. O número dimensiona o isolamento do ex-ministro dentro do partido sobre o qual teve controle absoluto por quase uma década e sepulta qualquer ambição dele de voltar à cena política.

Um amigo próximo conta que, pouco antes de ser preso, em 2013, depois de ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do mensalão, Dirceu se mostrava ainda disposto a travar o combate pela sua sobrevivência política, apesar da situação adversa. “Agora ele só quer ser esquecido”, diz o aliado. Os petistas que antes se mobilizavam em mutirão para pagar a multa imposta pelo Supremo e fazer a defesa política de Dirceu hoje se mostram constrangidos ao falar sobre aquele que um dia chamaram de “herói do povo brasileiro”.

Para o PT, a diferença entre a prisão de 2013 e a da última segunda-feira é que no mensalão Dirceu era uma espécie de mártir que se sacrificou em nome de um projeto coletivo abastecido com dinheiro público para garantir o apoio ao governo Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, Dirceu é visto apenas como mais um político que usou verbas públicas para bancar uma vida luxuosa, já que, segundo as delações que o levaram de volta à cadeia, empreiteiras investigadas pela Lava-Jato pagaram aluguéis de jatinhos, reformas e compra de imóveis do ex-ministro.

A falta de apoio a Dirceu depois da segunda prisão por acusações de corrupção não se restringe ao ambiente partidário. O ex-ministro já não conta com uma estrutura profissional para defendê-lo.
Antes cercado de assessores, funcionários e recursos para criar uma ampla rede de defesa política, Dirceu volta à carceragem da Polícia Federal com pouca retaguarda fora da prisão.

Sem estrutura Ao contrário do que aconteceu na primeira prisão, em novembro de 2013, nesta segunda o ex-ministro foi para carceragem da PF, em Curitiba, sem a garantia de uma estrutura política e de comunicação para fazer sua defesa. A historiadora Maria Alice Vieira, que era responsável pela articulação política de apoios a Dirceu, foi uma das últimas funcionárias demitidas da empresa do ex-ministro, a J.D. Assessoria, no fim do ano passado. Sua rescisão trabalhista só foi paga recentemente. O assessor de imprensa foi dispensado depois da prisão na segunda-feira e o blog do ex-ministro deixou de funcionar. Alguns amigos avaliam a ideia de reativá-lo, mas relatam que estão com dificuldade de encontrar gente disposta para atuar de forma militante pela “causa”.

Dirceu também não conta mais com um grupo de militantes voluntários atuando na linha de frente em sua defesa no PT e nos movimentos sociais. Dentro da sigla, os nomes que antes o defendiam abertamente no diretório nacional hoje preferem manter distância.
Amigos da “velha guarda” dizem que não há perspectiva, desta vez, de serem organizados atos de desagravo ou manifestos como os que marcaram o período posterior à primeira prisão. Um aliado próximo se diz “perplexo” com as novas denúncias e avalia que, diante delas, “não há mais clima” para fazer o debate político sobre a “politização do processo” e os “excessos” que marcaram o julgamento do mensalão.



Apoio às investigações


Um grupo de sete pessoas ligadas ao movimento Vem pra Rua realizou, na manhã de ontem , em São Paulo, um ato de apoio (foto) ao trabalho da Polícia Federal na condução das investigações da Operação Lava-Jato, que desmontou um esquema de corrupção na Petrobras. A manifestação ocorreu em frente ao prédio da Superintendência da PF, localizado na Zona Oeste da capital. Eles gritaram palavras em favor da atuação da Polícia Federal enquanto seguravam cartazes com mensagens endereçadas ao juiz Sérgio Moro, responsável pelas investigações sobre o caso envolvendo contratos da estatal. “Impeachment é justiça. Impunidade é golpe”, gritava o estudante Leandro Mohallem, de 25 anos, que carregava um cartaz com os dizeres “Je suis Moro” – referência ao mote que ficou conhecido após o ataque islâmico ao jornal francês Chalie Hebdo, em janeiro deste ano. O movimento Vem pra Rua defende o impeachment da presidente Dilma Rousseff e vai participar dos protestos contra a petista marcados para 16 de agosto em todo o país..