Publicidade

Estado de Minas

Coluna do Baptista Chagas de Almeida


postado em 07/08/2015 12:00 / atualizado em 07/08/2015 12:09

(foto: Arte/Soraia Piva)
(foto: Arte/Soraia Piva)

Mundo da fantasia em cadeia de TV

Vermelho de vergonha com a crise econômica e política, o PT deixou de fora a cor do partido no programa obrigatório em cadeia de rádio e televisão na noite de ontem. A presidente Dilma Rousseff (PT) apareceu de branco, provavelmente em busca de um pouco de paz. Traje adequado para quem descreveu o mundo da fantasia, que a vida real insiste em jogar por terra.

“Estamos atualizando as bases da economia e vamos voltar a crescer com todo o nosso potencial. Com preços em baixa, emprego em alta e saúde e educação de mais qualidade. Quem pensa que nos falta energia e ideia para vencer os problemas está enganado. Sei suportar pressões e até injustiças.”

Agora que está com mania de andar de bicicleta em Brasília, a presidente Dilma deveria aproveitar para ir pessoalmente a um supermercado para conferir os preços em baixa de suas promessas. É melhor do que as pedaladas fiscais que tem feito para esconder a deterioração das contas públicas, fruto da irresponsabilidade durante o período eleitoral.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – deve ser culpa das queixas de dona Marisa – pelo menos foi mais sincero e realista: “A situação não está fácil e a crise já chegou às nossas casas”. Se assim é com um ex-presidente da República, imagine o trabalhador cujo salário está bem menor que o mês e a dispensa vazia. Pode piorar? Pode. Imagine o trabalhador desempregado. E eles são cada vez mais numerosos.

Sobre a oposição, o programa do PT falou. Sobre o panelaço, o programa do PT ironizou. Sobre o escândalo bilionário na Petrobras um silêncio ensurdecedor. Nenhuma palavra jorrou de Dilma, de Lula ou mesmo do locutor.

Então, deve ser por causa da Operação Lava-Jato que faltaram estrelas do partido – também nem mencionadas em novo silêncio ensurdecedor – como o ex-ministro José Dirceu. É. Não dá para
levar ao ar as memórias do cárcere em cadeia de rádio e TV.

O palavrão
O senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) pode até se livrar das acusações que lhe são feitas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que o acusa de ter recebido R$ 26 milhões em propinas. Mas não deveria se livrar de um processo no Conselho de Ética do Senado depois do palavrão dos mais feios que ele usou em seu discurso da tribuna para atacar o procurador. Afinal, se um “filho da puta” não é quebra de decoro parlamentar, o que será então?

Vingança do artilheiro
Depois da canelada que sofreu, o tetracampeão do mundo e senador Romário (PSB-RJ), pretende marcar o gol de falta. Ele foi acusado pela revista Veja, com base em um extrato falso, de ter R$ 7,5 milhões em uma conta bancária no banco suíço BSI. Romário fez um emocionado discurso da tribuna do Senado antes que o caso fosse esclarecido. A revista até que pediu desculpas, mas o senador carioca não vai aceitar. Muito antes pelo contrário. Tanto que anunciou pelo Twitter: “O processo continua! Estou pedindo na justiça R$ 75 milhões por danos morais e direito de resposta na edição impressa da revista”.

Pela culatra

O presidente da central de trabalhadores e líder do Solidariedade na Câmara dos Deputados, Paulinho da Força Sindical, estava ontem em Belo Horizonte, quando o programa do PT apareceu na internet. E não ficou com raiva por ter aparecido – em preto e branco e com tom crítico – na propaganda petista. Ao contrário, no avião que o levou de volta a Brasília, Paulinho fez questão de dizer a várias pessoas com quem conversou durante o voo: “O PT está fazendo propaganda para mim. Como eu saí como bandido no programa, eu estou ganhando voto”. Com aprovação de 8% do governo e pôr adversários é dar tiro no pé.

“Já tem gente vigiando onde a árvore vai cair para ficar perto da fruta. Não dá machadada na árvore, finge que é amigo, mas já está de olho na fruta”

Mário Heringer (PDT-MG), deputado federal, explicando o comportamento dos colegas que não atacam a presidente Dilma Rousseff (PT), mas já se preparam para apoiar o vice-presidente Michel Temer (PMDB), em caso de impeachment

Desembarque à vista
Uma conversa de certa forma comprometedora, digamos assim, foi ouvida ontem por várias pessoas no plenário da Câmara dos Deputados. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Casa e ex-líder do PP, Arthur Lyra (AL) conversava com colegas pepistas e avisava que a legenda já está de malas prontas e preparando o desembarque da base de sustentação da presidente Dilma Rousseff (PT). Em tempo: Arthur Lyra é um dos nomes citados pela Operação Lava-Jato da Polícia Federal como envolvido com os malfeitos na Petrobras.

PINGAFOGO


É um episódio atrás do outro na série “Acredite, se quiser”. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), declarou que a análise das contas de ex-presidentes não teve nenhuma motivação política.

A apreciação das contas de Fernando Henrique Cardoso, Itamar Franco e Luiz Inácio Lula da Silva abrem caminho para que as contas do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff (PT) sejam colocadas em pauta. Percebeu a chantagem?

Com direito a duelo de rappers femininas, esquetes teatrais e espaço aberto para depoimentos, a Rede Estadual de Enfrentamento à Violência comemora hoje, na Praça 7, os nove anos da Lei Maria da Penha, que é, de fato, uma legislação que veio para ficar.

O objetivo da manifestação é chamar a atenção para a importância da lei. E a forma diferente do evento visa incentivar a participação do público que estiver presente.

Desta vez, a ficha não demorou a cair. Depois das derrotas sofridas em votações na Câmara dos Deputados, a presidente Dilma Rousseff (PT) se reuniu com alguns ministros petistas. Pelo jeito, vem reforma ministerial por aí.

Dólar em alta, saques recordes na poupança e por aí vai. E a presidente Dilma diz que suporta “pressão”. Será que os brasileiros também suportam? Só se for a pressão alta de tanta preocupação com o futuro.

 


Publicidade