Jornal Estado de Minas

Ex-dirigente de subsidiária da Eletrobras recebeu R$ 4,5 milhões em propina

O procurador federal Athayde Riberio Costa disse, nesta terça-feira, em entrevista coletiva à imprensa, em Curitiba, no Paraná, que o ex-presidente lidecenciado da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva, recebeu propina estimada em R$ 4,5 milhões das construtoras Andrade Gutierrez e Engevik. De acordo com o procurador, o valor pago ocorreu em  contratos das duas empreiteiras assinados, em 2009, para realização de obras da Usina de Angra 3, no Rio de Janeiro.

Othon Luiz foi preso na manhã de hoje durante a Operação Radioatividade, que faz parte da 16ª fase da Operação Lava-Jato, que apura há mais de um ano esquema de corrupção na Petrobras. Ao comentar essa nova fase da Lava-Jato, que abre o leque para esquema de corrupção, além da Petrobras, em outra estatal - a Eletronuclerar, que é uma uma subsidiária da Eletrobras-, o procurador Athayde Ribeiro Costa disse que a corrupção no Brasil é "endêmica e está em processo de metástase.

De acordo com o procurador, a empresa de Othon da Silva, a Aratec Engenharia, "recebeu pagamentos vultuosos" também de empresas que compõem o Consórcio Angramon. A Aratec recebeu no mesmo período pagamento das empreiteiras Andrade Gutierrez e Engevix, ambas com contratos com a Eletronuclear, por meio de empresas intermediárias CG Consultoria, JNobre Engenharia, Link Projetos e Participações Ltda. e a Deutschebras Comercial e Engenharia Ltda., "algumas com características de serem de fachada".

"No caso mais claro, foi constatado que a empresa CG Consultoria, Construções e Representação Comercial Eireli recebeu entre 2009 e 2012 R$ 2.930.000,00 da Construtora Andrade Gutierrez e transferiu, entre 2009 a 2014, R$ 2.699.730,00 para a Aratec. A CG Consultoria não tem qualquer empregado e na prática, descontados os custos tributários, repassou o recebido pela Andrade Gutierrez à Aratec, empresa controlada por Othon Luiz", apontou o juiz federal Sérgio Moro, que determinou a prisão temporária do presidente licenciado da Eletronuclear.

"A JNobre Engenharia e Consultoria Ltda., que tem o mesmo endereço que a CG Consultoria, depositou R$ 792.500,00 nos anos de 2012 a 2013 na conta da Aratec Engenharia. Nestes mesmos anos, recebeu R$ 1.400.000,00 da Andrade Gutierrez. A aparente utilização dessas empresas como intermediárias de repasses também é evidenciada pela análise dos pagamentos individualizados.
A título de exemplo, a CG Consultoria recebeu da Andrade Gutierrez, em 03/2012 e 06/2012, R$ 300.000,00 em cada um desses meses e repassou R$ 220.000,00 em cada um desses mesmos meses à Aratec Engenharia (evento 25, out12 e out13). Em 08/2011, a CG recebeu também R$ 300.000,00 da Andrade Gutierrez e repassou em 09/2011 R$ 220.000,00 à Aratec."

Segundo despacho do magistrado, em abril de 2009, tendo recebido da Andrade R$ 300 mil e repassado R$ 250 mil à Aratec em maio de 2009. A Deutschebras recebeu, em novembro de 2014, R$ 330 mil da Andrade Gutierrez e, em dezembro de 2014, repassou R$ 252.300 para a Aratec.

Alvos dos mandados de condução coercitiva são os executivos Renato Ribeiro Abreu, da MPE Participações, Fábio Adriani Gandolfo, da Odebrecht, Petrônio Braz Júnior, da Queiroz Galvão, Ricardo Ouriques Marques, da Techint Engenharia, Clóvis Renato Peixoto Primoi, da Andrade Gutierrez.

Defesa

A Andrade Gutierrez está acompanhando a 16ª fase da Operação Lava Jato e destaca que sempre esteve à disposição da Justiça. Seus advogados estão analisando os termos desta ação da Polícia Federal para se pronunciar.

Segundo a Polícia Federal, a  Operação Radiaoatividade deflagrada na manhã desta terça-feira envolve em torno de 180 policiais federais no cumprimento de 30 mandados. Esssas ações estão sendo cumpridas no Distrito Federal (8), Rio de Janeiro (11) e São Paulo (11). São 23 mandados de busca e apreensão, dois de prisão temporária e cinco de condução coercitiva.

Eletronuclear

Othon Luiz Pineheiro da Silva se afastou da Eletronuclear em 29 de abril deste ano, após ser citado na Lava-Jato por possíveis irregularidades em contratos para a construção da usina nuclear Angra 3.
Desde então, o diretor de operação da empresa, Pedro Figueiredo, assumiu interinamente a presidência. Ele foi preso em casa, no Rio de Janeiro, segundo informou a assessoria de imprensa da Eletronuclear. A Polícia Federal está hoje na sede da empresa, no Rio de Janeiro, cumprindo mandados de busca e operação. A Eletronuclear afirmou que vai se pronunciar por meio de nota.

Com Agência Estado

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