Jornal Estado de Minas

PF lista R$ 73 milhões em propinas de empreiteira

Brasília – Relatório da Polícia Federal lista R$ 73 milhões em propinas em seis negócios e obras executados pela Odebrecht. As suspeitas estão na representação policial de 68 páginas que indiciou Marcelo Odebrecht e outras sete pessoas ligadas à construtora. No relatório, o delegado Eduardo Mauat considerou que o presidente da empreiteira e os outros investigados são suspeitos de formação de cartel, fraude em licitações da Petrobras, corrupção ativa e crime contra a ordem tributária. A PF ainda afirma que o executivo obstruiu as investigações, articulando contatos políticos, fontes no Judiciário e expectativas de “dissidências” na própria polícia.

A Odebrecht negou qualquer pagamento de corrupção e disse que há depoimentos mentirosos no caso. A empresa afirmou que o indiciamento não tem “fundamento sólido” e contém “interpretações distorcidas, descontextualizadas e sem nenhuma lógica temporal”. Mas, nos próximos dias, o Ministério Público pretende denunciar os executivos da empreiteira.

O relatório da PF cita várias obras nas refinarias da Abreu e Lima (Rnest), em Ipojuca (PE), e Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos (SP), e no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí (RJ). Com base em planilhas apreendidas e obtidas com delatores, mostra a combinação de vitoriosos em obras da Petrobras e os resultados coincidentes. Além disso, relaciona denúncias de delatores, contratos e comprovantes de pagamentos para configurar o crime de corrupção.

O presidente da empreiteira trabalhou para tumultuar as investigações, sustenta a PF.
Os peritos  apontam mensagens no calendário de seu telefone celular. No assunto “LJ”, fala de “ações B”. E segue-se uma lista onde se lê “trabalhar para parar/anular (dissidentes PF...)”. Os peritos concluem que o executivo “teria a intenção de usar os “dissidentes” para  atrapalhar as investigações.

Em outra nota do calendário, o presidente da empresa diz: “Nova nota minha mídia? GA, FP, AM, MT, Lula? ECunha?”. Para os peritos os códigos se referem aos governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin, e de Minas, Fernando Pimentel, ao diretor jurídico da Odebrecht, Adriano Maia, ao vice-presidente Michel Temer, ao ex-presidente Lula e ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Nessa terça-feira (21), o juiz Sérgio Moro pediu explicações sobre o caso. A empreiteira disse que vai responder, mas desqualificou a análise da polícia. Em nota, a Odebrecht considera  “grave” a tentativa de atribuir ao presidente da empresa “a responsabilidade pelos ilícitos gravíssimos que estão sendo apurados e envolveriam a cúpula da Polícia Federal do Paraná, como a questão da instalação de escutas em celas”.  E completa: “O relatório da Polícia Federal presta um desserviço à sociedade e confunde a opinião pública ao estabelecer suposições a partir de anotações pessoais, quando deveria se ater a fatos concretos.”.