Jornal Estado de Minas

Deputados reagem a acusações de lobby e "barganhas nojentas"


O texto em que o deputado Sargento Rodrigues (PDT) afirma que muitos integrantes do Legislativo recebem sem comparecer às sessões plenárias, fazem lobby e “barganhas nojentas”, negociam cargos e benesses junto ao governo causou revolta entre os colegas, que criticam o parlamentar por “generalizar as acusações”. O líder do governo, deputado federal DurvalAngelo (PT), cobrou os nomes dos deputados que se utilizam desse expediente denunciado por Rodrigues. “Ele devia dizer os nomes de quem ele acusa. Seria mais correto”, defende Durval. A Mesa Diretora da Assembleia não quis se pronunciar sobre o assunto, alegando ser uma opinião pessoal do parlamentar. Sargento Rodrigues reafirmou nessa terça-feira (21) todo o teor do artigo e disse que sua fala foi um “desabafo”. Até a tarde dessa terça-feira, o texto do deputado tinha 17,4 mil visualizações no Facebook.


Para o líder do governo, apesar do mal-estar criado entre os integrantes do Parlamento por causa do texto, o deputado tem o direito de se expressar. “O deputado não pode ser constrangido na palavra e no voto.
Essa imunidade, prevista na Constituição e que ele critica, é a que garante a ele falar o que quiser, inclusive fazer essa generalização que uma instituição como o Legislativo não merecia”, afirma. Uma das críticas feitas pelo deputado Sargento Rodrigues, no texto “Legislar ou prostituir”, publicado em seu site e nas redes sociais, é que muitos buscam o cargo apenas para ter imunidade parlamentar.


Durval também rebateu as críticas do deputado sobre negociações com o governo, envolvendo cargos e favores, para a aprovação de projetos do interesse do Executivo. Segundo ele, elas aconteciam no governo passado e envolviam o bloco parlamentar a que ele fazia parte. “O atual bloco governista não faz esse tipo de acordo. A única garantia dada pelo governo é o pagamento das emendas parlamentares aprovadas no orçamento do estado, um direito dos deputados”, disse Durval.


O deputado Sargento Rodrigues afirmou ainda em seu texto que muitos colegas transformam o exercício da atividade parlamentar em “bico” e comparecem ao Legislativo na “hora e o dia que bem entender”. “A obrigação de votar ou não uma matéria está atrelada ao seu “bel prazer”, ou melhor, de que forma vou tirar proveito em votar com o Poder Executivo ou não”, afirma o parlamentar. Rodrigues se elegeu deputado pela primeira vez em 1998, depois de despontar como um dos líderes da greve da Polícia Militar em 1997, e foi nas eleições passadas o quinto deputado mais bem votado do estado, com 98,8 mil votos.

Durante os governos tucanos fez parte da base governista. Na gestão Pimentel, integra a oposição.

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