Para FHC, crise no Brasil vai piorar

Tucano que governou o país por oito anos aproveita a convenção para fazer duras críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, o Brasil foi quebrado pelos petistas

Flávia Ayer
"Nunca vi um momento como este, em que se acumulam crises de vários tipos" - Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República - Foto: Orlando Brito/Divulgação

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) atribuiu a crise econômica e política instalada no país ao PT. Num discurso inflamado, durante a convenção nacional do partido nesse domingo (5), em Brasília, FHC disse que o Brasil foi “quebrado” pelo partido da presidente Dilma Rousseff e que o mal-estar social instalado “tem tudo para se agravar”. Aos 84 anos, o ex-presidente afirmou não se recordar de situação tão difícil no Brasil.


FHC citou momentos como a queda de Getúlio Vargas, a renúncia de Jânio Quadros e o início do regime militar. “Nunca vi um momento como este, em que se acumulam crises de vários tipos”, disse, detalhando as dimensões do problema. “A crise econômica, como a expressão mais direta do sofrimento do povo, o desemprego, um Congresso fragmentado, um governo que, para se manter, cria ministérios. Um sistema de presidencialismo que hoje é de cooptação, de compras”, disse.


Embora não tenha citado a presidente Dilma Rousseff, FHC foi duro em relação às criticas ao governo da petista e ao antecessor dela, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dizendo que o país perdeu o rumo. “O Brasil foi quebrado pelo PT. Essa crise que está aí é deles, não é nossa.

Eles levaram o país para essa situação”, afirmou. Segundo o tucano, quando assumiu o governo, Lula “se safou da crise porque o mundo cresceu”.
Nos bastidores, tucanos afirmavam que Fernando Henrique se sentia “vingado” por ter tido um governo melhor avaliado que o de Dilma atualmente. Em pesquisa do Ibope, divulgada na quarta-feira e encomendada pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI), a presidente Dilma aparece com 68% de rejeição, a mais alta já registrada desde a redemocratização. De acordo com o levantamento, a maior rejeição de FHC foi de 52%, em julho de 1999.


Em seu discurso, FHC revelou um pouco desse sentimento. “Fui presidente da República, enfrentei situações muito difíceis. Eu perdi a popularidade algumas vezes. Popularidade se perde e se ganha. O que eu nunca perdi foi a minha credibilidade. Quando se perde, não há mais como recompô-la”, disse. Criticado pelas privatizações em seu governo, ele também afirmou que, agora, o PT aposta na parceria entre estado e iniciativa privada.


O ex-presidente também chamou para o PSDB a responsabilidade de “assumir o país” e “encaminhar uma saída”. “Precisamos outra vez de ver dirigentes nacionais sem estar cercados por segurança e não ter medo de ser agredido”, afirmou. E ainda injetou autoestima nos tucanos. “O Brasil precisa ser passado a limpo.

Queremos reconstruir o Brasil e tirá-lo da tragédia”, disse FHC, atribuindo essa responsabilidade ao partido.

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