Ela também disse que outros investigados da Lava Jato, igualmente apontados como operadores de propinas, iam na Diretoria de Duque.
Pascowitch, que está preso, "falava mais ao telefone" com Duque, segundo ela. Nakandakari, afirmou a secretária, "ia com frequência" na Diretoria. Ele fez delação premiada e está em liberdade.
Em audiência na ação penal aberta contra Duque, réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Elizabeth depôs como testemunha de defesa e afirmou que o ex-diretor trabalhava "na normalidade". Ela declarou que "nunca observou absolutamente nada de diferente" na conduta dele.
A secretária, que se aposentou em janeiro de 2015, disse que trabalhou 35 anos na estatal. Na Diretoria de Serviços, com Duque, ela ficou seis anos, entre 2006 e 2012. Antes, foi secretária de Duque em outra área.
Mário Góes é apontado como um dos 11 operadores de propina na Diretoria de Serviços - cota do PT no esquema de corrupção da Petrobras. Ele foi sócio em uma lavanderia e na compra de um jato do ex-gerente de Engenharia da Petrobras Pedro Barusco.
Julio Camargo é citado como suposto lobista e pagador de valores ilícitos obtidos em negócios da estatal. Ele agia como "representante comercial" de grandes empresas.
Ao ser indagada se conhecia Mário Góes, a secretária respondeu:
"Conheço de vista, ele esteve lá na Petrobras sim, teve reuniões com o sr. Renato Duque. Mas é assim, onde eu sentava é distante da sala de reunião. Nós sabíamos assim, 'ah, o visitante chegou'. A própria recepcionista leva a pessoa à sala de reunião."
Um procurador da força-tarefa da Lava Jato indagou de Elizabeth se ela sabia dizer quantas vezes Góes foi à Diretoria de Duque. Ela disse que não sabia dizer, "sinceramente".
"Era coisa esporádica, uma vez por ano?", insistiu o procurador.
"Uma vez por ano não, mas não sei especificar quantas vezes."
"Era frequente?", prosseguiu o procurador.
"Eu não posso arriscar nada porque eu não tenho certeza."
O procurador também perguntou à secretária se conhecia Julio Camargo.
"Sim", ela disse. O procurador perguntou se o lobista ia com frequência na Diretoria de Serviços. "É, sim."
O procurador quis saber se Camargo ia "com mais frequência que Mário Góes". Ela disse. "Não sei dizer, já passou tanto tempo eu não sei dizer se um ia mais que o outro. O sr. Julio Camargo, às vezes, levava empresas lá para serem recebidas.
O procurador perguntou, ainda, sobre João Vaccari, ex-tesoureiro do PT, preso na Lava Jato sob suspeita de arrecadar propinas para o seu partido. "Conheço ele da televisão, lá na Petrobras nunca vi."
A secretária afirmou também que nunca viu na Diretoria de Serviços o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil).
Campanha
A secretária disse que o lobista Milton Pascowitch, também preso, mantinha contatos com a Diretoria de Serviços. "Eu não lembro muito dele lá, eu lembro por telefone, falar por telefone."
Sobre o engenheiro Shinko Nakandakari, um dos delatores da Lava Jato, se ele ia na Serviços. "Sim, com uma certa frequência."
Ela afirmou que "foi uma surpresa" quando Renato Duque foi indicado para a Diretoria de Serviços. "Eu estava ali trabalhando com ele (Duque) numa gerência de contratos e, de uma hora para outra, começou a sair o nome dele no jornal. Então, foi uma surpresa para todo o grupo que trabalhava com ele."
Ao final da audiência, o juiz Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato, insistiu sobre as visitas do lobista Mário Góes. "Mário Góes esteve com o sr.