Cardozo disse que Fachin conseguirá prestar esclarecimentos "com tranquilidade" durante a sabatina sobre o exercício de dupla atividade no Paraná, durante o período em que manteve trabalho como advogado e exerceu cargo de procurador do Estado. Uma nota técnica elaborada por consultor legislativo do Senado nesta manhã, a pedido do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), aponta que ocupar os dois cargos "viola o ordenamento legal".
Para o ministro da Justiça, pode existir uma discussão jurídica sobre o tema, mas Fachin se cercou de "todas as cautelas" ao assumir a função. "Ele já tinha me informado dessa situação", disse Cardozo. O ministro relatou que Fachin afirmou que, quando prestou o concurso para procurador do Estado, o edital da prova mencionava a possibilidade de continuar exercendo a advocacia. Tanto o advogado paranaense como os demais candidatos, segundo Cardozo, questionaram o procurador-geral do Estado na época, que teria confirmado a possibilidade do exercício das duas funções.
"Não existe uma situação que absolutamente o desabone em nada no exercício funcional. Pode até ter discussão jurídica, agora que é uma pessoa que agiu com todas as cautelas, que agiu dentro da mais absoluta lisura ao longo de sua vida profissional não se pode ter nenhuma dúvida", afirmou Cardozo.
Cardozo disse estar "absolutamente confiante" na aprovação do nome do advogado.
Fachin é o último nome a ser indicado pela presidente Dilma Rousseff ao Supremo Tribunal Federal (STF). Com a aprovação da PEC da Bengala nesta semana na Câmara dos Deputados, a presidente perdeu a chance de indicar mais cinco ministros para a Corte. Cardozo evitou comentar se a decisão do Congresso foi uma retaliação ao governo. "O Congresso Nacional é soberano para decidir e, portanto, se o Congresso decidiu que a Constituição deveria ser modificada, teve suas razões e elas devem ser respeitadas", desconversou..