Eduardo Cunha diz que financiamento público de campanha é "hipocrisia"

Favorável ao financiamento privado, presidente da Câmara reiterou que a reforma política será votada pela Casa em maio, na semana do dia 26

Estado de Minas
- Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, criticou nesta sexta-feira os custos das campanhas eleitorais no Brasil e disse que a reforma política pode reduzir os gastos. Defensor do financiamento privado de campanha, Cunha classificou de “hipocrisia” a defesa do financiamento público com o argumento de que o privado estimularia caixa dois.

“Campanha de primeiro turno com 90 dias, por quê? Por que superproduções? Ninguém aguenta mais um marqueteiro ganhando R$ 1 milhão para fazer campanha de presidente da República. O povo quer ouvir o que você pensa, não ver filme bonitinho. A sociedade quer o debate político. Isso reduz custo, evita que o poder econômico interfira na ideia, na sua avaliação”, disse Cunha em referência às atuais campanhas.

Cunha participa, nesta manhã, em Campo Grande (MS), do programa Câmara Itinerante, que tem o objetivo de levar deputados federais a discutir temas de interesse nacional nos estados. Nesta sexta-feira à tarde, o Câmara Itinerante estará em Cuiabá (MT).

O presidente da Câmara reiterou que a reforma política será votada pela Casa em maio, na semana do dia 26, mesmo que a comissão especial que a analisa não emita parecer sobre ela. “Estamos cansados de todo mundo dizer que quer votar, mas na hora ninguém querer votar absolutamente nada.
A proposta de emenda à Constituição estava há um ano e três meses na CCJ , com sua admissibilidade obstruída pelo PT. O PT só quer saber de lista e financiamento público de campanha, do resto não quer saber. É um direito deles, mas não podem impedir a sociedade de discutir”, criticou o presidente da Câmara.

Terceirização

Eduardo Cunha também acusou o PT de ter obstruído, na CCJ, a votação do projeto de lei que permite a terceirização de todas as atividades de uma empresa. A proposta foi aprovada nesta semana pela Câmara.

Ele explicou que agilizou a votação por temer um vácuo jurídico sobre o assunto, uma vez que o Supremo Tribunal Federal analisa a constitucionalidade de uma resolução do Tribunal Superior do Trabalho que permite a terceirização somente de atividades-meio.

“A resolução sendo declarada inconstitucional, não há nenhuma garantia. Você não tem uma responsabilidade solidária garantida por lei, o trabalhador não tem nem a quem acionar. O presidente do Supremo pediu que a gente decidisse antes”, disse Cunha. “Há vácuos de legislação para serem preenchidos. Não é porque eu inventei que tinha de ser votado porque estava parado há 11 anos na CCJ, porque o PT estava obstruindo”.

Pacto federativo

O presidente também comentou o pacto federativo, outro assunto a ser debatido no Câmara Itinerante. Ele defendeu a definição clara de competências de estados e municípios, porque “hoje não se dá receita para os entes cumprirem as obrigações”.

Com Agência Câmara.