Nesta segunda-feira, 19, o Ministério Público da Suíça confirmou que garantiu acesso a documentos e extratos bancários sobre suspeitas de pagamentos de propinas que podem confirmar essa relação.
No total, uma delegação oito brasileiros passou a atuar nos escritórios do MP suíço para consultar extratos bancários e documentos reunidos pelos suíços.
A base da documentação dos suíços é a coleção de extratos do UBS das cinco contas abertas em nome de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás e que acumula um valor de US$ 26 milhões nos bancos suíços.
A suspeita é de que o dinheiro viria da Odebrecht. Mas as empresas teriam usado uma ampla rede de operadores e intermediários que estaria dificultando mostrar como ocorreu a relação entre a empreiteira. Por isso, a delegação brasileira em Lausanne ganhou a participação de peritos que vão justamente avaliar cada um dos documentos para traçar o "mapa" da operação e tentar saber se existem indícios de que o dinheiro de fato foi resultado de propinas.
Em novembro, uma primeira viagem de três procuradores indicou que, de fato, os documentos obtidos pelos suíços tinham o potencial de abrir novas áreas de investigação no escândalo da Petrobrás. Desta vez, a opção da Justiça foi por fazer uma operação ampla, com um numero maior de pessoas e toda uma semana para consultar os documentos.
Nesta segunda, a reunião serviu para que cada integrante da equipe fosse apresentado e para que uma agenda de trabalho fosse feita.
Oficialmente, tanto brasileiros como os suíços se negam a comentar o conteúdo das reuniões ou dos documentos. "Temos instruções para não falar absolutamente nada", declarou Orlando Martello, um dos procuradores da força-tarefa da Operação Lava-Jato.
Do lado suíço, a assessoria de imprensa do MP indicou que "não pode dar qualquer tipo de informação sobre essa investigação".