Jornal Estado de Minas

Apesar das denúncias de corrupção, Dilma blinda Graça Foster

Presidente defende a permanência da executiva. Sob críticas da oposição, diz ainda que consultará o MP para escolher ministros

Grasielle Castro Paulo de Tarso Lyra
A presidente Dilma disse que o novo Conselho de Administração da Petrobras será escolhido depois da definição de seu ministério - Foto: Joedson Alves/Reuters
Brasília – Pressionada, inclusive por aliados, a mudar a diretoria da Petrobras, a presidente Dilma Rousseff disse ontem que não pretende fazer alterações e defendeu a gestão de Graça Foster à frente da estatal. Em café da manhã com os jornalistas que fazem a cobertura diária do Palácio do Planalto, Dilma, no entanto, reconheceu que fará alterações no Conselho Administrativo da Petrobras. As mudanças, entretanto, dependem da composição da Esplanada no próximo governo. Antes de anunciar os nomes dos próximos ministros, porém, a presidente disse que consultará o Ministério Público para saber se os cotados foram citados na Operação Lava-Jato. A oposição criticou as duas decisões. Aos jornalistas, a presidente admitiu que abrirá o capital da Caixa Econômica Federal e que o Banco de Desenvolvimento Social e Econômico terá um papel diferenciado no próximo governo.

Ao chegar ao Salão Leste do Planalto e se deparar com a mesa de café da manhã, a presidente – 4kg mais magra – disse logo que não podia saborear nada do que estava na mesa e bebeu apenas suco de melancia enquanto conversava com os jornalistas. O bate-papo começou com uma pergunta sobre os ministeriáveis. Segundo a presidente, os nomes devem sair até segunda-feira e poderão ser anunciados em uma ou duas etapas.
Um dos pontos que faltam ser definidos é a fatia do PMDB na Esplanada. No fim da tarde, ela chamou o vice-presidente e presidente do partido, Michel Temer, para uma conversa. O principal interlocutor da legenda sobre a reforma ministerial ficou cerca de 30 minutos com a presidente. Falta fazer alguns ajustes e a expectativa é que o martelo sobre os nomes seja batido ainda hoje.

Antes de fechar os nomes, entretanto, a presidente disse que perguntará ao Ministério Público se “há alguma coisa contra fulano” que a impeça de nomeá-lo. Um dos nomes que corre perigo de ser excluído é o do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que estava cotado para entrar na fatia do partido, mas foi supostamente citado na delação premiada do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Só depois de concluir o redesenho da Esplanada é que a presidente decidirá o futuro da Petrobras. Segundo ela, o conselho administrativo da empresa só será definido após a escolha do futuro ministro de Minas e Energia, ao qual é subordinado. O principal cotado para o cargo é o senador Eduardo Braga (PMDB-AM). Apesar das críticas, Foster e os demais diretores continuam nos cargos. “Eu conheço a Graça, sei da seriedade da Graça e da lisura da Graça”, elogiou Dilma. A presidente destacou que levou um ano “trabalhando” para colocar Graça Foster na diretoria da estatal, em substituição ao antigo comando da Petrobras. “Pergunte quais os interesses que estão por trás disso? A quem interessa tirar a Graça?”

‘Surrealista’ A oposição criticou a decisão da presidente sobre a permanência de Graça Foster. Para o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), “Dilma não tem mais direito a desculpas”. O vice-líder do partido no Senado, Alvaro Dias (PR), criticou ainda a decisão da presidente de consultar o MP para escolher ministros.
“Isso revela que chegamos a uma situação surrealista em termos de ética na administração pública, porque para a presidente ter que se socorrer ao MP para nomear é realmente algo que estarrece”, afirmou o tucano. O líder da Minoria no Congresso Nacional, deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), afirmou que o apoio de Dilma a Graça mostra que a presidente atestou e puxou para si “todas as denúncias e atos de corrupção da Petrobras”. “Consequentemente, tudo feito de errado na empresa tem a bênção de Dilma”, disse Caiado, eleito senador.

"Degradação"


O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa definiu como “degradação institucional” a declaração da presidente Dilma Rousseff, dada ontem, segundo a qual o Ministério Público será consultado para elucidar se possíveis ministeriáveis estão envolvidos em algum grau com escândalos de corrupção. Em sua conta oficial no Twitter, Barbosa publicou mensagens com críticas à presidente, sem referir-se nominalmente a Dilma. “Que degradação institucional! Nossa presidente vai consultar órgão de persecução criminal antes de nomear um membro do seu governo”, afirmou. Minutos depois, o ex-ministro voltou à carga: “Há sinais claros de que a chefe do Estado brasileiro não dispõe de pessoas minimamente lúcidas para aconselhá-la em situações de crise”..