Adoto as análises de Diego Amorim e Silvio Ribas pela objetividade do enfoque, sintetizando suas falas: “Gente sorridente, plataformas operando a pleno vapor, produção de som e imagem impecável: cinco anos atrás, as propagandas da Petrobras eram dignas da maior empresa brasileira e a oitava do mundo. (...) A estatal todo-poderosa perdeu a majestade. Degringolou. Em vez de fazer festa, teve de se preocupar em montar gabinetes de crise às pressas. Passou a ser investigada no Brasil e nos Estados Unidos.
O desmanche da Petrobras, por gestão temerária de uns e gestão omissa de outros, não se restringe ao mercado financeiro, com perdas severas aos acionistas brasileiros e de Nova York, onde suas ações participam do pregão. A redução da nota de crédito pela agência Moody’s, no mês passado, será seguida pelas outras agências, tornando a empresa um traste em péssimas condições para obter créditos no mercado internacional.
A exploração do pré-sal, a demandar recursos pesadíssimos, somente é operacional com o preço do petróleo além de US$ 70. A cotação atual está entre US$ 75/80. Os EUA estão jogando gás de xisto no mercado, e todos os países produtores aumentaram a produção, caso da Rússia e outros, menos o Brasil. Nos próximos quatro anos nada indica que a situação vai mudar, pelo contrário.
A verdade é que desde os militares as decisões da estatal tramitavam em três níveis técnicos, antes da aprovação final pelo Conselho de Administração da empresa, responsável por sua política. Com Fernando Henrique Cardoso a Petrobras tornou-se a 6ª maior empresa de petróleo do mundo e entrou triunfante no mercado de ações dos EUA. Essa estrutura foi desmanchada pelos governos do PT como intuito de usar a empresa política e financeiramente.
Portanto, de nada valerá Lula e o PT alegarem que foram as “empreiteiras” que corromperam os executivos ingênuos da Petrobras. É o contrário. Desmancharam-se os controles internos e “aparelharam” a empresa para financiar o PT, o PMDB e o PP, como de resto já foi explicado e provado pelo operador-mor Paulo Roberto Costa, temeroso de ter o mesmo destino de Marcos Valério no “mensalão”, enquanto os “políticos” receberam penas ridículas e já estão todos em casa (embora moralmente destruídos).
É com imenso pesar que vemos um partido que nasceu de um jeito tornar-se, majoritariamente, o partido da falta de ética, salvo honrosas exceções. Em meio ao descalabro, o governo não sabe o que fazer com a inflação, o déficit público, o descontrole de gastos, o agravamento das contas externas, o crescimento da dívida pública e agora o início do desemprego, que será doravante crescente, pois o povo está endividado e inadimplente e os investidores com os bolsos fechados. O Brasil está desacreditado e diminuido a olhos vistos.
Apesar de tudo, mantenho-me irredutivelmente democrata.
Não nos apraz nem aos brasileiros, nem aos meus filhos e netos, a tese do quanto pior melhor. É suicida. Esperamos que o Brasil pós – Petrobras faça com que o PT partido desista de ser o PT Estado. O nome indica: o que é parte, “partido”, não pode ser o todo inteiro, o Estado, a população plural que nele vive, enfim a nação una e indivisível, agora e sempre!.