Oficialmente, as auditorias não se pronunciam. Mas, executivos ouvidos pelo
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, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, que não quiseram se identificar, afirmam que o grande temor é o da perda de credibilidade. "A Justiça concluiu que a Arthur Andersen não tinha responsabilidade nas fraudes da Enron. Mas, quando saiu a decisão, a sua credibilidade já havia sido manchada e não havia mais retorno para a empresa", afirmou um executivo de uma grande auditoria instalada no Brasil.
O diretor-técnico do Instituto Brasileiro de Contabilidade (Ibracon), Idésio da Silva Coelho, diz ser impossível para uma auditoria perceber desvios de recursos como o revelado pelo ex-diretor na delação premiada. Costa assumiu que, na época em que era diretor de abastecimento, cobrava dos fornecedores com os quais fechou contrato propina de 3% sobre o valor total dos projetos. "Auditor não é polícia e não tem capacidade de auditar o que não é revelado. Às vezes, as pessoas acham que auditor analisa todas as transações de uma empresa.
O trabalho de auditoria é regulamentado pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), que acompanha normas internacionais com o objetivo de prevenir erros humanos na elaboração de balanços. As normas não preveem investigação de atos de administração das companhias.
Entre todas as auditorias que atestaram os resultados da Petrobras, a que está em uma posição mais sensível é a PwC. Ela presta serviço para a estatal desde 2011 e, em todos esses anos, não fez qualquer ressalva aos números apresentados pela Petrobras e suas controladas.
No mês passado, a PwC protagonizou um episódio que deixou o Conselho de Administração da estatal em maus lençóis. Diante da citação do nome do presidente da Transpetro, Sérgio Machado, por Costa, na Operação Lava Jato, a auditora demonstrou constrangimento em atestar o balanço financeiro da subsidiária de transporte da Petrobras. O desdobramento foi o afastamento temporário de Machado do cargo. Segundo o Ibracon, nenhuma auditoria pode exigir a demissão de executivos. Mas pode alegar dificuldade de executar o trabalho diante da permanência de administradores ou considerar que, diante de denúncias de corrupção, a imagem da auditoria pode ser comprometida e decidir interromper o serviço.
"Suspeitas podem ser levadas pelo auditor ao comitê de auditoria e ao conselho de administração da companhia aberta. A definição das iniciativas para eliminar o problema cabem aos órgãos internos da empresa", explica Eliseu Martins, ex-diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e professor emérito da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP..