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Estado de Minas BOATOS NAS INTERNET

Notícias falsas sobre suposta morte do doleiro Alberto Youssef marcam segundo turno

Difusão da falsa notícia foi criticada pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que atribuiu o caso a uma tentativa de manipular o eleitor


postado em 27/10/2014 00:12 / atualizado em 27/10/2014 07:26

Zulmira Furbino

 

O dia de ontem, data da realização do segundo turno das eleições no Brasil, foi marcado pelos boatos nas redes sociais. Os eleitores acordaram com a falsa notícia, divulgada na internet, sobre a suposta morte do doleiro Alberto Youssef, delator do esquema de corrupção na Petrobras, que teria sido envenenado na carceragem. As informações foram espalhadas em redes sociais como Facebook, Twitter e WhatsApp. Mesmo depois de desmentidos pela Polícia Federal, os boatos continuaram a ser disseminados, o que levou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a filha do doleiro, a psicóloga Kemelly Caroline Fujiwara Youssef, e o Hospital Santa Cruz, em Curitiba (PR), a negarem a veracidade dos rumores que inflamavam a internet. "Está tudo certo. É mentira. Ele está bem, não morreu", disse Kemelly no início da tarde de domingo. Ela mora em Londrina (PR).

Ao longo do dia, o boato pôs mais lenha na fogueira das já tensas relações entre os eleitores, divididos entre dois projetos de governo desde o início do segundo turno da campanha eleitoral para a Presidência da República. Mensagens recebidas pelo WhatsApp dando conta da morte do doleiro eram respondidas com indignação por aqueles que contestavam a falsa notícia. No Facebook e no Twitter ocorreu o mesmo. No fim das contas, depois da confirmação de que Youssef estava vivo, o boato acabou se transformado em piada. Alberto Youssef passou mal na tarde de sábado e teve de ser levado para o Hospital Santa Cruz, em Curitiba, que divulgou nota para informar que o paciente tem um quadro provável de angina instável, condição grave na qual o coração não é irrigado corretamente com sangue e que pode levar ao infarto.

MANIPULAÇÃO A difusão da falsa notícia foi criticada pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que atribuiu o caso a uma tentativa de manipular o eleitor e disse que os envolvidos devem ser investigados e punidos, caso seja comprovada a ilegalidade da iniciativa. A Polícia Federal, de acordo com ele, foi orientada a investigar os boatos e deverá, "nos termos da lei", pedir autorização para apurar o caso. "Divulga-se que ele teria morrido. Não é verdade. Ele está no quarto do hospital com dois policiais federais. Então há uma tentativa de alguns de querer turvar a consciência do eleitor, o que é inaceitável. A democracia exige voto livre, consciente, sem informações que sejam plantadas em relação a uma situação dessa natureza", disse.

Em nota, a PF afirmou que a internação de Youssef se deu devido a uma queda de pressão arterial causada pelo uso de medicação para doença cardíaca, e que esta foi a terceira vez que ele recebeu atendimento médico na prisão. A nota diz que o doleiro ficará internado até seu "pleno restabelecimento", quando, então, voltará ao cárcere. Segundo o hospital, desde a tarde de sábado o quadro de saúde do doleiro é estável e ele pode ser liberado em até 48 horas. Em nota divulgada pelo hospital, assinada pelo cardiologista Rubens Zenóbio Darwish e o diretor clínico Arthur Leal Neto, os exames realizados por Youssef constatam "sinais vitais dentro da normalidade", mas necessita de observação e monitorização contínuas". Segundo o hospital, ele chegou com quadro clínico estável, apresentando sinais de desidratação e de emagrecimento importante e na avaliação inicial não apresentava sinais de intoxicação exógena e/ou por medicamentos. Segundo fonte ligada ao Santa Cruz, ele chegou a receber a visita das filhas e está 16 quilos mais magro em comparação ao período pré-prisão.

Depois que os boatos começaram a circular, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Dias Toffoli, disse, durante coletiva na sede do tribunal, que a Justiça Eleitoral não tem qualquer responsabilidade na investigação ou punição de pessoas responsáveis pela divulgação de boatos às vésperas ou durante as eleições. Segundo Toffoli, “não cabe à Justiça Eleitoral tomar medidas em função de boatos”. O doleiro foi preso em março, durante as investigações da Operação Lava a Jato, deflagrada pela PF. Ele é acusado de participar de um esquema de corrupção que, segundo a PF, movimentou R$ 10 bilhões. Assim como o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, Youssef é suspeito de atuar cobrando propina de empresários que prestavam serviço à estatal para abastecer campanhas políticas.

Em Minas, segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), foram realizadas 58 prisões por ocorrência de crime eleitoral. Ao todo, 194 urnas eletrônicas foram substituídas , entre as quais 11 biométricas.

Em todo o Brasil, 451 pessoas foram presas por envolvimento em crime eleitoral, a maioria (174) no Rio de Janeiro. Os principais crimes apurados foram de boca de urna, propaganda irregular e transporte irregular de eleitores. No Brasil, 3.238 urnas, 0,7% do total, foram substituídas. Algumas seções tiveram votação manual.

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