Lobão Filho dedicou boa parte do seu programa eleitoral de ontem para explorar a operação da Polícia Federal. Ele insinuou ter havido o envolvimento do secretário nacional de Justiça do Ministério da Justiça, Paulo Abrão, na ação da PF para beneficiar a candidatura do adversário, Flávio Dino (PCdoB). A motivação seria o fato de, horas antes da operação, o secretário ter aparecido em blogs e no programa eleitoral de Dino dando apoio ao candidato.
“Coincidência ou não, na madrugada de quinta-feira, em Imperatriz, uma ação truculenta da Polícia Federal, foi desencadeada contra mim e contra o deputado Gastão Vieira (candidato ao Senado na coligação)”, afirmou ele.
No programa, Lobão Filho disse ser “um homem sério” e sabe que a Polícia Federal “também é uma instituição séria”. “A Polícia Federal não pode ser usada como instrumento eleitoral numa campanha política”, afirmou. Ele citou ter orientado seus advogados a pedir apurações contra Paulo Abrão e à PF para apurar as razões da operação. O candidato afirmou ainda que seu partido, por meio do vice-presidente da República, Michel Temer, mostrou a sua indignação e a presidente Dilma Rousseff foi “igualmente informada”.
Em segundo lugar nas pesquisas, Lobão Filho termina seu programa dizendo ir às urnas “com muita serenidade” porque tem a consciência de ter apresentado as melhores propostas e que todas elas vão ser prontamente executadas por ele saber como fazer. “E eu conto ainda com o apoio da presidente Dilma e do ex-presidente Lula. Por tudo isso, espero merecer a sua confiança e o seu voto. Pra frente, Maranhão!”, encerra.
O candidato do PCdoB ao governo do Maranhão, Flávio Dino, criticou a reação do PMDB, em postagem publicada no Twitter, a intimidação do PMDB sobre a PF.. “Absurda essa intimidação do PMDB sobre a Polícia Federal. Será que tem algo a ver com delações de Paulo Roberto Costa e do doleiro Youssef?", questionou. É uma referência ao ex-diretor da Petrobras que citou políticos do PMDB nos depoimentos prestados e ao doleiro Alberto Youssef, que decidiu nesta semana fazer uma delação premiada. Os dois estão presos por envolvimento na Operação Lava Jato, da Polícia Federal.
DELEGADOS
A Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) divulgou nota ontem, em apoio ao delegado Paulo de Tarso Cruz Viana Junior, responsável pela operação na comitiva de Lobão Filho.
“É natural que alguns partidos façam uso político de fatos que nada mais são do que o regular trabalho de Polícia Judiciária Eleitoral atribuído legalmente à Polícia Federal", afirma a nota. “A ADPF faz questão de deixar claro que no exercício de suas atribuições constitucionais a Polícia Federal, enquanto órgão de Estado, não persegue, não intimida, mas também não se deixa intimidar”, completa.
Maluf se compara a Jesus e =Getúlio
O candidato à reeleição a deputado federal Paulo Maluf (PP), de 83 anos, comparou seu atual momento político às “injustiças sofridas por Jesus Cristo, Getúlio Vargas e o
ex-presidente Juscelino Kubitschek”. Na terça-feira, o Tribunal Superior Eleitoral negou o registro da candidatura dele, por causa da Lei da Ficha Limpa. Apesar de inelegível, Maluf continua sua campanha e fez carreata na manhã de ontem, em São Paulo. “Meu eleitor, como todo eleitorado de São Paulo, é esclarecido, pois lê jornal, internet e ouve rádio. Sabe que me impugnaram em 2006, 2010 e agora em 2014 e sou candidato. É o ônus da vida pública. Jesus Cristo, Getúlio Vargas e Juscelino também foram injustiçados. Me sinto orgulhoso por todas as obras que fiz por essa cidade e estado”, declarou Maluf..