Jornal Estado de Minas

Arrecadação para campanha eleitoral de 2014 fica muito aquém do esperado

Recursos de candidatos a deputado não passam de 13% da estimativa

Isabella Souto Alessandra Mello Leonardo Augusto
Arrecadar dinheiro nestas eleições não está fácil para ninguém.
As previsões de gastos milionários dos candidatos às 53 cadeiras de Minas Gerais na Câmara dos Deputados e às 77 na Assembleia Legislativa deram lugar a cifras bem mais módicas – pelo menos nos dois primeiros meses de campanha. É o que mostra a segunda parcial da prestação de contas entregue pelos candidatos à Justiça Eleitoral no dia 2. Para ter uma ideia, dos R$ 301 milhões previstos pelos atuais deputados federais que disputam estas eleições, foram arrecadados pouco mais de R$ 28 milhões (9%). Entre os postulantes a deputados estaduais, os números não são muito diferentes. Dos R$ 139 milhões previstos, eles arrecadaram apenas R$ 17,9 milhões (13%).

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Nos dois primeiros meses de campanha, o deputado federal Luiz Fernando Faria (PP) é quem conseguiu mais recursos para - Foto: tentar a reeleição: R$ 2,58 milhões, graças principalmente a doações de construtoras, mineradoras, empresas de diversos ramos e do seu partido. Mas já gastou boa parte: R$ 1,98 milhão saíram dos cofres para custear material gráfico, folha de pessoal, prestadores de serviços terceirizados, correio e publicidade.

O candidato também fez uma doação de R$ 50 mil a outros dois candidatos e ao PP – mesmo tendo arrecadado bem abaixo da previsão inicial declarada ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que foi de R$ 9 milhões.

- Foto: O colega de plenário Leonardo Quintão (PMDB) já conseguiu metade do que esperava gastar nesta disputa: R$ 2,44 milhões de um total de R$ 5 milhões. O peemedebista recebeu doações de drogarias e farmácias, construtoras, PMDB e pessoas físicas. E gastou R$ 1,53 milhão com publicidade, combustível, alimentação, pesquisas, atividades de mobilização de rua e pessoal, entre outros.

Sobrou pouco dos R$ 1,69 milhão arrecadados pelo tucano Rodrigo de Castro junto a construtora, empresa de engenharia, companhia de seguros e mineradora. Ele já aplicou R$ 1,42 milhão em material de expediente, locação de veículos e combustível, pagamento de pessoal e publicidade.

Entre os deputados estaduais, Fábio Cherem (PSD) é o que tem mais dinheiro para cobrir os gastos da campanha – R$ 1,12 milhão, a maior parte do próprio bolso. Pode até parecer pouco para quem esperava ter R$ 6 milhões para tentar se eleger, pois já foi quase tudo aplicado em pagamento de funcionários, material publicitário, locação de imóvel e combustível: exatos R$ 1.093.464,36. Ivair Nogueira, do PMDB, arrecadou R$ 642,4 mil entre pessoas físicas e jurídicas e gastou pouco mais da metade, R$ 334,4 mil com publicidade, pessoal e carro de som. Paulo Lamac (PT) esperava arrecadar R$ 3 milhões, mas até agora passou pelo seu caixa R$ 516 mil de várias empresas, que serviram para cobrir o gasto de R$ 115,5 mil com pessoal e publicidade.

VERMELHO Na outra ponta, estão os “menos abastados”. Candidato à reeleição na Câmara dos Deputados, Stefano Aguiar (SD) declarou ter arrecadado apenas R$ 5,5 mil – sendo R$ 1 mil referente a doação do próprio bolso. A julgar pela declaração de gastos, ou ele vai terminar a campanha endividado ou terá que arranjar mecanismos mais eficientes para angariar fundos na reta final. Em julho e agosto, ele gastou R$ 46,2 mil com material impresso e serviços prestados por terceiros.


Em situação pior está o deputado federal George Hilton (PRB), que arrecadou menos e gastou mais. Na prestação de contas entregue ao TRE mineiro, ele declarou uma receita de R$ 3.810 e uma despesa de R$ 93,6 mil com publicidade, taxas bancárias e locação ou cessão de imóvel. A petista Margarida Salomão foi mais contida: gastou pouco mais de R$ 5 mil acima dos R$ 31 mil disponíveis para custear material impresso, energia, locação de imóvel e faixas, placas e estandartes.

Outro que anda no vermelho é o deputado estadual Gilberto Abramo (PRB), que tenta mais um mandato na Assembleia. O parlamentar gastou R$ 49,5 mil, entre outras despesas, com publicidade e produção de jingle, vinhetas e slogans. No entanto, nos dados encaminhados à Justiça Eleitoral, ele contabilizou uma receita de R$ 35,6 mil. Bem abaixo da expectativa de R$ 3 milhões declarada ao registrar sua candidatura.

 

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