Jornal Estado de Minas

Presidenciáveis mantêm segundo debate na TV sob fogo cruzado

Dilma e Marina trocam farpas e Aécio bate pesado na política econômica do governo

Isabella Souto Juliana Cipriani Maria Clara Prates
Os sete candidatos a presidente da República participaram ontem do debate transmitido pelo SBT/Alterosa - Foto: Alice Vergueiro/Futura Press/estdão Conteúdo

No segundo debate entre os sete candidatos a presidente da República – transmitido nessa segunda-feira pelo SBT/Alterosa –, a representante do PSB, Marina Silva, se tornou o alvo preferencial dos adversários, que a questionaram sobre a fonte de recursos para colocar em prática suas promessas, o menosprezo ao pré-sal como fonte de energia e de recursos para educação, a falta de transparência em relação a R$ 1,6 milhão que ela recebeu de empresas para proferir palestras e o que seria a “nova política” propagandeada pela ex-ministra do Meio Ambiente. Já a presidente Dilma Rousseff (PT) foi cobrada várias vezes a explicar os indicadores que apontam que o país está em recessão técnica. Segundo o IBGE, a atividade econômica do país registrou queda de 0,6% no segundo trimestre e de 0,2% no primeiro.

O confronto direto entre Marina e Dilma abriu o debate. A petista e candidata à reeleição perguntou à adversária de onde ela tiraria os recursos para bancar suas promessas, estimadas por ela em R$ 140 bilhões. Marina devolveu, dizendo que são compromissos assumidos, e acusou a petista de desperdiçar recursos públicos com “projetos desencontrados” e “escolhas erradas”. “O que vamos fazer são escolhas corretas”, disse. Dilma usou a réplica para focar a inexperiência de Marina em cargos executivos.

“A senhora falou e não respondeu de onde vem o dinheiro. Quem governa tem que dizer como vai fazer.”

Na segunda oportunidade de perguntar, Dilma focou novamente em Marina, acusando-a de “desprezar” a importância do pré-sal. “O que estou dizendo é que não podemos ter visão de ficar apenas onde a bola está. O mundo inteiro está em busca de novas fontes de energia”, argumentou Marina, completando que Dilma se valeu do discurso do pré-sal para desviar as atenções do escândalo de corrupção na Petrobras, que segundo ela “está pagando caro pelas escolhas erradas que (Dilma) fez”. Marina também mirou em Dilma ao perguntá-la sobre o por que de seu governo ter dado errado. Ouviu da petista que o pessimismo é uma “péssima forma de avançar” e lembrou que sem apoio político no Congresso Nacional não é possível assegurar um governo estável.

A petista e o tucano também trocaram críticas em relação aos investimentos na área de infraestrutura. Segundo Aécio, Dilma “tem as mesmas propostas e promessas de quatro anos atrás”. “Em Belo Horizonte, ganha um prêmio quem andar em um palmo de metrô construído pelo PT”, criticou Aécio. “Na área de mobilidade, o governo da presidente fracassou, como fracassou em todas as outras áreas”, disse ele. Dilma rebateu citando iniciativas de mobilidade em Minas que receberam recursos federais, como os R$ 143 bilhões liberados pelo seu governo para obras de mobilidade.

O senador Aécio Neves (PSDB) atacou Marina e Dilma nas considerações finais. Disse reconhecer na ambientalista uma candidata de “boas intenções”, que no entanto, não explicou como vai “superar contradições de seu projeto de governo que traz teses que combatia até há pouco tempo”. Sobre Dilma, afirmou que representa “apenas o governismo que fracassou”.

TRANSPARÊNCIA No bloco de perguntas de jornalistas, sobrou para todos.

Dilma foi questionada sobre sua queda nas pesquisas de intenção de voto, enquanto Aécio teve de falar sobre casos de corrupção envolvendo o PSDB, e Marina sobre as palestras que deu sem informar quem a pagou. Perguntada sobre o fato de estar virtualmente perdendo a eleição para Marina no segundo turno, como apontam pesquisas, Dilma preferiu se defender. Atribuiu a redução da atividade econômica “momentânea” à crise internacional e citou crescimentos negativos de Japão e Alemanha. Marina devolveu dizendo que Dilma não consegue fazer o que é essencial para ter sucesso em um eventual segundo mandato: reconhecer erros.

Perguntado sobre a compra de votos no Congresso Nacional para aprovar emenda que possibilitou a reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e sobre o caso do cartel do metrô de São Paulo, governado pelo tucano Geraldo Alckmin, Aécio Neves aproveitou para citar o mensalão do PT, dizendo que seu partido jamais transformará eventuais culpados em heróis nacionais. “Vamos investigar qualquer homem público. E cabe à Justiça em última instância condenar aqueles que forem considerados culpados. Queremos tirar nossas empresas das páginas policiais”, afirmou em referência ao caso de corrupção na Petrobras.

Já Marina Silva teve de responder se ocultar quem lhe pagou por palestras que renderam R$ 1,6 milhão é compatível com a nova política que prega. A candidata ressaltou a separação de sua vida privada da pública e disse que, se as empresas que a contrataram quiserem se revelar, não se oporá. Foi a deixa para Dilma rebater, dizendo que transparência é uma exigência fundamental para a democracia. “A questão da governabilidade implica transparência”, afirmou.
E Marina devolveu: “A Receita Federal é testemunha de que pago meus impostos. Uma coisa boa seria fazer um comparativo entre outras lideranças políticas que, como eu, também fazem palestras”, afirmou, citando os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e FHC.

 

"O maior risco que uma pessoa pode correr é não se comprometer com nada. Só ter frases de efeito, frases genéricas. Você tem que explicar o que vai fazer, dizer de onde vai vir o dinheiro”

Dilma Rousseff (PT)

 

"Acredito nas boas intenções da candidata Marina, mas ela não consegue superar as enormes contradições vindas do seu projeto, que defende hoje teses que combatia há muito pouco tempo”

Aécio Neves (PSDB)

 

"Uma coisa importante é verificar que, desde o debate anterior, a candidata Dilma não consegue fazer uma coisa essencial: reconhecer os erros. Se não reconhecer os erros, não tem como repará-los”

Marina Silva (PSB)

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