Jornal Estado de Minas

Campos era considerado gestor hábil e político maleável

Jorge Macedo - especial para o EM
André Shalders

Brasília – Aliados, ex-colegas e até antigos adversários do candidato à Presidência pelo PSB Eduardo Campos viam nele um político hábil, com capacidade de criar e manter “pontes” com diversos setores da arena política.

No Congresso, destacou-se no papel de coordenador da bancada do PSB, liderada por ele nas três ocasiões em que ocupou o cargo de deputado federal, nas eleições de 1994, 1998 e 2002. A capacidade de agregar apoio aos projetos próprios, inclusive entre antigos desafetos, rendeu a Campos a inclusão na lista dos cem “cabeças” do Congresso, elaborada pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), apesar do curto tempo como deputado – nas três ocasiões, ele se licenciou para assumir cargos no Executivo.


Outra qualidade ressaltada por interlocutores do pernambucano era o bom humor e o trato fácil. “Ele era uma pessoa muito inteligente e muito simples também. Você rolava de rir perto do Eduardo”, conta Rodrigo Rollemberg (PSB). Além de correligionário, o senador pelo DF trabalhou com Campos no então Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), e foi um dos principais articuladores da ida de Marina Silva para o PSB. “Avisei a ele que Marina Silva tinha decidido se juntar a nós: ‘Você precisa vir para Brasília hoje, urgente’, disse. E a resposta dele: ‘Você já esteve bebendo hoje?’”, riu-se o senador.


“Ele tinha muita capacidade de diálogo e procurava sempre manter as portas abertas.

Note que ele era um cara que conversava com todo mundo, que manteve pontes desde do PT até o PSDB. Foi por essa característica, inclusive, que ele conseguiu o apoio de um antigo rival, o (senador) Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE)”, continuou Rollemberg. Depois de 20 anos de desavenças, a reaproximação entre Campos e Vasconcelos começou no fim de 2011 e, nas palavras do peemedebista, “já com vistas a 2014”. “A gente não se falava, nem nos cumprimentávamos. Até que ele marcou uma conversa. Por essa época, ele estava começando a ter problemas com o PT e sabia que eu não subo em palanque de petista, então, de certa forma, isso nos aproximou”, contou Vasconcelos. A aliança seria selada de vez nas eleições municipais de 2012, quando ambos apoiaram a campanha vitoriosa do prefeito de Recife, Geraldo Júlio (PSB).


A posição de gestor – nos três níveis de governo – parece ter sido a favorita de Eduardo Campos e certamente era onde ele se destacava. “Ele não era alguém que usava da posição de poder para impor as coisas. Ao contrário, ele usava do convencimento para mobilizar as pessoas”, relata o doutor em ciência política Luís Manuel Fernandes, que ocupou a Secretaria Executiva do então Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) durante a gestão de Campos, entre 2004 e 2005. Além de ministro de Lula, Campos ocupou secretarias na Prefeitura do Recife e no governo de Pernambuco, ambos durante a gestão do avô Miguel Arraes.

.