Brasília – Aliados, ex-colegas e até antigos adversários do candidato à Presidência pelo PSB Eduardo Campos viam nele um político hábil, com capacidade de criar e manter “pontes” com diversos setores da arena política.
Outra qualidade ressaltada por interlocutores do pernambucano era o bom humor e o trato fácil. “Ele era uma pessoa muito inteligente e muito simples também. Você rolava de rir perto do Eduardo”, conta Rodrigo Rollemberg (PSB). Além de correligionário, o senador pelo DF trabalhou com Campos no então Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), e foi um dos principais articuladores da ida de Marina Silva para o PSB. “Avisei a ele que Marina Silva tinha decidido se juntar a nós: ‘Você precisa vir para Brasília hoje, urgente’, disse. E a resposta dele: ‘Você já esteve bebendo hoje?’”, riu-se o senador.
“Ele tinha muita capacidade de diálogo e procurava sempre manter as portas abertas.
A posição de gestor – nos três níveis de governo – parece ter sido a favorita de Eduardo Campos e certamente era onde ele se destacava. “Ele não era alguém que usava da posição de poder para impor as coisas. Ao contrário, ele usava do convencimento para mobilizar as pessoas”, relata o doutor em ciência política Luís Manuel Fernandes, que ocupou a Secretaria Executiva do então Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) durante a gestão de Campos, entre 2004 e 2005. Além de ministro de Lula, Campos ocupou secretarias na Prefeitura do Recife e no governo de Pernambuco, ambos durante a gestão do avô Miguel Arraes.