Esta semana, um levantamento divulgado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV e Aids (Unaids) mostrou que o Brasil teve um aumento de 11% no número de novos casos de contaminação pelo HIV entre 2005 e 2013, ao contrário da média mundial, que recuou 28% no mesmo período. Durante o período, o financiamento para o combate à Aids no governo federal avançou de R$ 941 milhões para R$ 1,2 bilhão – insuficiente sequer para cobrir a inflação acumulada no período, que foi de 59,9%.
PARCELAS Das três ações que compõem o programa, a voltada à prevenção e vigilância é justamente a com menor margem de execução até o momento. Estados populosos como São Paulo e Rio de Janeiro contam com grandes valores disponíveis, mas ainda não obtiveram recursos (veja quadro). Na nota, o Ministério da Saúde esclareceu que os recursos são liberados por parcelas, e que a segunda remessa deve ocorrer no início de agosto. “Os estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, que estavam previstos para liberação de recursos no pagamento da primeira parcela, solicitaram o adiamento (...)”, diz um trecho.
Entre ativistas que lidam com o problema cotidianamente, entretanto, a percepção é de que os recursos disponíveis diminuíram nos últimos anos. “De fato, há uma falta de recursos para a prevenção. Isso eu constato no dia a dia da minha comunidade. Muitas organizações que antes faziam um trabalho importante de prevenção e de conscientização estão fechando as portas ou atoladas em dívidas. Não existe mais o financiamento que existia 10 anos atrás”, diz Toni Reis, ex-presidente e atual secretário de Educação da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT)..