Em mais uma investida para avançar sobre o campo aliado da presidente Dilma Rousseff (PT), o senador Aécio Neves (PSDB) conseguiu nessa quinta-feira a adesão da dissidência do PMDB do Rio de Janeiro à sua pré-candidatura à Presidência da República. Os peemedebistas e infiéis de outros oito partidos da base da petista oficializaram o Aezão, movimento dos que apoiam Aécio para presidente e a reeleição do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), em um ato com mais de mil pessoas em uma churrascaria. Nem Pezão nem o ex-governador fluminense, Sérgio Cabral, que oficialmente apoiam a reeleição de Dilma, compareceram ao encontro.
Contribuiu para ampliar o racha do PMDB no Rio a confirmação pelo PT da pré-candidatura do senador Lindbergh Farias ao governo do estado. Os peemedebistas esperavam que o partido de Dilma apoiasse a campanha do PMDB fluminense em reciprocidade à aliança nacional entre as duas legendas. Apesar de publicamente apoiarem Dilma, nos bastidores Cabral e Pezão não fizeram muito esforço para abafar o Aezão.
Sem citar Pezão nominalmente, Aécio pediu aos presentes que o ajudem a vencer a eleição no Rio de Janeiro, o que, segundo ele, será passaporte para uma vitória em todo o Brasil. “Me deem a vitória no Rio que eu dou a vocês a Presidência da República”, disse. No espaço na Barra da Tijuca, foram espalhadas fotos de Aécio e Pezão com um símbolo de adição. O presidente do PMDB do Rio, Jorge Picciani, disse ser a hora de “alternância de poder”, de estabilizar a moeda e desburocratizar o país.
“Fico muito honrado de poder receber hoje apoios tão importantes, tão expressivos e de regiões tão diversas do estado, o que me dá uma grande confiança de que poderemos vencer as eleições no Rio de Janeiro.
Aécio disse ter uma relação afetiva com o estado onde viveu e sua filha nasceu. “Isso para mim tem um significado do ponto de vista pessoal também muito grande”, descreveu. O tucano defendeu o principal programa na área de segurança do governo Sérgio Cabral, as unidades de polícias pacificadoras (UPPs) e disse que, se eleito, levará o modelo para todas as regiões metropolitanas do país.
'Honrado'
A possibilidade de formalização de uma aliança com o PMDB do Rio está sendo discutida pelo partido segundo Aécio. “Vamos definir de que forma o PSDB formalmente participará da campanha. Eu, pessoalmente estou extremamente honrado de ser candidato dos melhores sentimentos dos fluminenses, dos cariocas, dos melhores sentimentos do Rio de Janeiro”, afirmou.
Durante o encontro com os dissidentes da base de Dilma, o pré-candidato do PSDB não economizou críticas à petista. Na área da segurança, ele criticou o baixo investimento federal. Ele também voltou a apontar falhas na economia e infraestrutura. Segundo o tucano, o governo Dilma deixará como herança cum “cemitério de obras inacabadas com sobrepreço para todos os lados”.
Memória
Lulécio e Dilmasia
A infidelidade partidária nos estados em eleições presidenciais e envolvendo grandes legendas não é novidade. Em Minas Gerais, nas últimas disputas em que os candidatos do PSDB ao Palácio do Planalto foram o ex e o atual governador de São Paulo, José Serra e Geraldo Alckmin, os tucanos foram preteridos pelos apoiadores do PSDB no estado. Em 2006, lideranças mineiras aderiram ao Lulécio, o voto no ex-presidente Lula (PT) no plano federal e em Aécio Neves (PSDB) para governador de Minas – o candidato tucano era Geraldo Alckmin. Em 2010, foi a vez do Dilmasia, com prefeitos e outros líderes regionais pregando o voto em Dilma Rousseff (PT) para presidente e Antonio Anastasia (PSDB) como governador. Nesse arranjo sobrou o ex-governador José Serra, que concorria a presidente pelo PSDB.
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