A oposição reclama da pressão do Palácio do Planalto sobre o peemedebista e afirma que é a defesa da independência do Poder Legislativo que está em jogo. "Ele (Alves) não quer comprar o desgaste com o Planalto", avaliou o líder do DEM, Mendonça Filho (PE). Com o apoio de nove partidos (PPS, PSDB, PR, PRB, Solidariedade, PV, PSB, PSD e PROS), o líder do DEM disse que manterá o esforço para garantir a apreciação de seu projeto. "Não dá para a presidente, ao arrepio da Constituição, institucionalizar conselhos sem nenhum respaldo legal e legitimidade política e institucional", declarou Mendonça.
Na semana passada, Dilma editou um decreto que cria nove instâncias de negociação e comunicação com a sociedade civil. Embora já estivesse programada pelo Planalto desde 2010, a norma teve sua redação acelerada a partir das manifestações de junho do ano passado. O texto, que institui a Política Nacional de Participação Social (PNPS) e o Sistema Nacional de Participação Social (SNPS), oficializa a relação do governo com os setores organizados. Os integrantes não serão remunerados e as propostas apresentadas não precisam necessariamente ser levadas adiante pelo governo.
Logo que o decreto de Dilma foi publicado, Alves chegou a consultar sua assessoria jurídica para avaliar a constitucionalidade da decisão presidencial.
Coube ao vice-líder da bancada do PT, Alessandro Molon (RJ), sair em defesa do decreto presidencial. "Quem é contra o decreto não leu que ele regulamenta uma lei. Só acha que é usurpação do Poder Legislativo quem não leu o decreto", rebateu. O petista disse que o decreto do Executivo é constitucional e que qualquer cidadão poderá integrar os conselhos populares, estando ou não vinculados a entidades civis. "Se os partidos de direita não têm inserção social, nós lamentamos, porque não podemos resolver esse problema. Quem tem medo de ter o povo participando?", completou..